A HISTÓRIA QUE EU SEI (123)

Com eles, criava-se PAC-II, ainda inspirado por Enildo Pessoa, Neidson Rodrigues e Paulo Romera. A meta de João Herrmann Neto passou a ser a sua candidatura a deputado federal, que foi alavancada quando de uma reunião de prefeitos, em Marília, de protesto contra o Governo Paulo Salim Maluf, em São Paulo. Habilidoso, João Herrmann Neto transformou o protesto numa “Frente de Prefeitos”, que proporia uma solução alternativa de administração pública, tendo Piracicaba como modelo, “Piracicaba, ilha da democracia”, como Herrmann Neto passou a propagar após o Congresso da UNE. Enquanto isso, porém, novos escândalos se sucediam: “O Diário” denunciava, com fotos, o uso de máquinas e material da Prefeitura na construção da chácara do prefeito; o uso de máquinas, pessoal e material do SEMAE na construção da casa do presidente da autarquia, José Sérgio Guidotti Alves, com nova sindicância no legislativo, onde passava a despontar uma nova liderança, o vereador Antonio Fernandes Faganello, tornado líder do prefeito na Câmara Municipal. Faganello, sendo líder da minoria do MDB/PMDB na Câmara, conseguiu vitórias marcantes sobre a maioria, dando condições de governabilidade para João Herrmann Neto. E este, quando se lançou candidato a deputado federal em 1982, realmente podia apresentar um somatório de realizações e mudanças realmente marcantes, ainda que contraditórios. A administração pública se voltara para a periferia. O trinômio “Saúde, Educação, Bem Estar Social” voltara-se realmente para os bairros. Instalaram-se os CEPECs (Centros Poli valentes de Educação e Cultura), 17 postos de saúde, cerca de 50 centros comunitários que eram construídos pelas próprias empreiteiras que, vencendo concorrências para pavimentação e obras urbanas, se comprometiam a construí-Ios. Inaugurou-se o Teatro Municipal. Instalou-se o novo centro de captação de Água, no Corumbataí. O projeto Corumbataí foi, realmente, uma iniciativa que impediu que Piracicaba entrasse em colapso quanto ao fornecimento de água potável à população. A nova estação de tratamento, se não resolvia de todo o problema, assegurava o fornecimento que, apenas com o que existia até aí, chegava à exaustão. A partir da inauguração da estação do Capim Fino – com uma caixa d’água para 1 milhão de litros – a administração municipal afirmou que o Corumbataí passava a ser responsável por 90% da captação de água em Piracicaba. 601

Criou-se o CONDEVAPI, para a defesa do rio Piracicaba. Logo em seguida, a Praça do Protesto Ecológico, que já não existe mais. Os movimentos populares, organizados na FOPOP (Federação das Organizações Populares de Piracicaba), passaram a ter voz ativa na elaboração do Orçamento Municipal, através de um Conselho Orçamentário dos Cidadãos. Quanto à habitação, as favelas. apos o governo de- Adilson Maluf, haviam-se multiplicado, chegando-se a cerca de 2 mil barracos em 1983. Criaram-se o PROMORAR e outros projetos, incluindo estímulos ao CURA e aos da COHAB, mas a questão não chegou a ser equacionada com êxito. Na zona rural, especialmente quando da gestão do Secretário Waldemar Gimenez, houve atendimentos especiais, incluindo a construção de pontes de concreto onde havia as de madeira, o que possibilitou a futura construção da estrada Piracicaba-Anhumas. Quando se chegou ao final da administração Herrmann Neto, a revista “Dirigente Municipal” colocava Piracicaba como a “Cidade Mais Desenvolvida do Brasil”.

Era inegável: com seus erros e acertos, confusões e conflitos, escândalos e provocações, João Herrmann Neto assumia uma posição inquestionável de liderança política, especialmente junto às populações mais necessitadas. No entanto, a classe média e as elites afastavam-se dele, realidade que se agravou quando Herrmann Neto, em atitude gratuita e provocadora, derrubou monumentos históricos da Praça José Bonifácio, à guiza de remodelá-Ia. Mas ele era, enfim, um líder novo que despontava, após alguns anos de tragédias que levaram Piracicaba a um vazio político. Infelizmente, como se veria depois, João Herrmann Neto jogou fora, por si mesmo, todo o acervo político que havia construído, tanto em relação a equipe e assessores quanto à própria liderança política da cidade.

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