A HISTÓRIA QUE EU SEI (125)

O mandato de Borghesi
O Prefeito João Herrmann Neto tinha, como meta política principal, eleger-se deputado federal em 1982. No entanto, na vice-prefeitura estava José Aparecido Borghesi, com quem estava politicamente rompido desde o episódio do “Mar de Lama”. Deixar a Prefeitura a um adversário político seria atitude suicida. Ou seja: para candidatar-se a deputado, João Herrmann Neto precisaria do apoio ou, pelo menos, de uma relação pacífica com José Aparecido Borghesi, já militando no PT. Foi, então, que aconteceu uma reunião na casa do ex -secretário Newman Ribeiro Simões, que Herrmann pretendia fosse o candidato à sucessão municipal em 1982. A reunião, estavam presentes o anfitrião, o vice-prefeito José Borghesi, os jornalistas João Maffeis Neto e Adolpho Queiroz, José Medinilha e Ricardo Bortolai. A meta: conseguir que Borghesi retomasse ao PMDB, apoiando ou não sendo hostil à candidatura de João Herrmann Neto, e dando-lhe respaldo administrativo na Prefeitura. Conseguiram o intento: Borghesi aceitou o acordo e João Maffeis Neto permaneceu na Prefeitura, assessorando-o, enquanto Renato Bortolai – irmão de Ricardo – assumia a Secretaria de Finanças, pois Florivaldo Coelho Prates pretendia candidatar-se a vereador em 1982.

A administração de José Borghesi teve início no dia 15 de maio de 1982, encerrando-se no dia 31 de Janeiro de 1993. Foram apenas oito meses de mandato e a principal tarefa do novo prefeito, além de presidir as eleições municipais, foi a de pagar dívidas contraídas pela administração de Herrmann Neto, especialmente junto às empreiteiras às quais estava endividada a Prefeitura. A máquina administrativa trabalhou intensamente para o PMDB, mostrando a habilidade política de José Aparecido Borghesi, que, com estilo próprio, acalmava a cidade diante das provocações e da agitação popular de João Herrmann Neto. O apoio à candidatura de Franco Montora ao governo de São Paulo foi amplo, numa posição pública de combate e de enfrentamento ao governo de Paulo Salim Maluf em São Paulo.

Em 1982, realizar-se-ia em Piracicaba, com menor repercussão, o 34Q Congresso Nacional da UNE. Na UNIMEP, Elias Boaventura e Almir de Souza Maia eram reeleitos por mais 4 anos. Paulo Maluf, no governo de São Paulo, e João Batista Figueiredo, na presidência da República, estavam sem qualquer respaldo popular. A queda na atividade industrial brasileira chegara a 9, 7%, caindo também a produção agrícola a 5,2%, números de 1981. Era o início da “década perdida”. A dívida externa brasileira crescera mais 20%, chegando aos 80 bilhões de dólares. A crise atingira também o México e a Argentina, assustando os banqueiros internacionais. O Brasil recorria ao FMI. A hidrelétrica de Itaipu – sem que a nação tivesse discutido a sua construção ou a questionado – sepultava para sempre as cachoeiras de Sete Quedas. E, no México, a Seleção Brasileira de Futebol – com o time mágico que havia sido montado por Telê Santana – perdia a Copa do Mundo, com uma equipe onde havia craques como Cerezo, Zico, Sócrates, Falcão, Careca. Em Maio, iniciava-se a chamada “Guerra das Malvinas”, uma disputa entre a Argentina e a Inglaterra pelas ilhas com aquele nome, ou “Falklands”, como as chamavam os ingleses. Tratava-se, sim, do início de uma década amarga, que já tinha sido prenunciada ainda antes de 1982: a morte de John Lennon, em 1980; a do jornalista Samuel Weiner, no mesmo ano; a perda de Elis Regina, em 1981.

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