A HISTÓRIA QUE EU SEI (LIII)

O “XV”, meio político
Quando se contar a história contemporânea de Piracicaba, não se poderá deixar de analisar-se a trajetória do E.C.XV de Novembro, o “Nhô Quim”, um clube com tantas glórias e, também, com tantos fracassos. Pois ele, também, faz parte da história política. E os analistas do futuro – tanto do clube, quanto da cidade – não terão como deixar de se aprofundar na profunda relação que existiu entre o E.C.XV de Novembro e a política local. Quando isso acontecer, haverá de se concluir, possivelmente, que a incapacidade de aquele clube chegar à sua própria consolidação – celeiro de craques que foi, especialmente no futebol e no basquetebol – se deve muito ao fato de ele ter sido, ao longo de seus mais importantes anos de existência, um instrumento de ascenção política de muitos que o dirigiram. Poucos foram os que o administraram profissionalmente. Muitos, no entanto, o fizeram politicamente.

Os Guidotti tiveram o E.C.XV de Novembro, em suas mãos, por um longo período. O ex-prefeito Belmudes de Toledo foi presidente do clube de 1943 a 1945. Logo após, João Guidotti – candidato duas vezes a prefeito de Piracicaba – presidiu o clube, de 1948 a 1953, retomando, depois, em 1955 e 1956. Antonio Cera Sobrinho – candidato a prefeito no final dos anos 50 – foi presidente do “Nhô Quim” nos anos de 1956 e 1957, retomando em 1970 e 1971. O Comendador Antonio Romano presidiu a agremiação em 1954 e 1955, retomando em 1964. Romano não foi candidato, mas, dos anos 50 a 70, sempre foi tido como um “prefeiturável” em potencial, não saindo candidato também por força da melancólica experiência com os metalúrgicos que quiseram promover o seu enterro simbólico como “mau patrão”. Romeu Ítalo Rípoli vereador algumas vezes, presidente da Câmara e também candidato a prefeito e vice-prefeito dirigiu o “XV” nos anos de 1959, de 1962 a 1964 e depois, de 1974 até 1983 Gustavo Jacques Dias Alvim – que foi vereador, presidente da Câmara e candidato a vice prefeito – foi presidente do clube de 1971 a 1973. O Comendador Humberto D’ Abronzo – que foi vice-prefeito, candidato renunciante à Prefeitura – presidiu o clube de 1966 até 1970. O ex-deputado Bento Dias Gonzaga – que também se candidatou a prefeito – foi presidente da entidade em 1960 e 1961.Luciano Guidotti presidiu o E.C.XV de Novembro em 1958 e 1959. E o herdeiro político dos Guidotti, José Luiz Guidotti – filho de Luiz, vereador e um dos chefes do gabinete do governador Adhemar de Barros – foi o presidente quinzista em 1965.

Essa presença dos políticos piracicabanos na direção do E.C.XV de Novembro precisa merecer uma atenção especial do historiador do futuro, não apenas na interpretação dos porquês de um clube – com tantos talentos revelados ao país, em todos os níveis – nunca ter chegado a uma estabilidade razoável, como, especialmente talvez, na análise do fenômeno político de Piracicaba. Pois foram os destinos do E.C. XV de Novembro de Piracicaba – num entendimento político entre Humberto D’Abronzo e Salgot Castillon – que, em 1969, criaram ainda melhores condições para que os “guidotistas” e o MDB conseguissem que se cassassem os direitos políticos do prefeito Salgot Castillon e, assim, se desse outra guinada na vida político-administrativa de Piracicaba.

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