A HISTÓRIA QUE EU SEI (LXXIII)

1969, FIM DO “SALGOSISMO”
O mundo entrou como que em ebulição em 1969. Se Neil Amnstrong, astronauta norte-americano, chegara à Lua, o primeiro ser humano a fazê-lo, as coisas na Terra não caminhavam na mesma harmonia. Os protestos pela paz e, portanto, contra a violência e a guerra, atingiam dimensões universais. Em Londres, no “Hyde Park”, 250 mil jovens haveriam de se concentrar, ao som dos “Rollings Stones”, em nome da paz. E aconteceria, no Estado de Nova York, o que se tomaria conhecido apenas como “Woodstok”: 500 mil pessoas, numa concentração musical jamais vista, que cantavam a paz e que faziam protestos, tendo Jimi Hendrix e Janis Joplin como intérpretes de suas emoções. O mundo ficaria estarrecido com a violência da seita de um fanático, Charles Mason, que assassinaria a atriz Sharon Tate. Golda Meir chegava ao comando do governo de Israel e Yasser Arafat se tomaria o chefe revolucionário da OLP (Organização para a Libertação da Palestina). Nos Estados Unidos, monumentais passeatas protestavam contra á guerra do Vietnã. E a França mostrava, ao mundo, o primeiro vôo do avião Concorde. No Brasil, cantava-se ao som de Os Mutantes, de Chico Buarque de Hollanda, de Milton Nascimento, de Caetano Veloso. As reações contra os militares iam-se tomando cada vez mais ousadas. O governo, finalmente, admitia a existência de guerrilhas e passava a combater os “terroristas”. A crise chegou a um ponto insuportável quando se deu o seqüestro de Charles Benke Elbrick, diplomata dos Estados Unidos, cuja libertação apenas se daria com a troca de 15 prisioneiros, exigência dos “terroristas”, como eram chamados. Em Agosto, Costa e Silva adoecia gravemente.

Em Piracicaba, as alegrias também já eram menores. Não mais quem o mantivesse, o basquetebol piracicabano chegava ao fim, encerrando um período de grandes conquistas. E, pela última vez, o bonde circulou até a Escola de Agronomia, encerrando um romântico meio de locomoção que existia desde as primeiras décadas do século, quando os bondes eram de propriedade da “Southern Brazil Electric Co.” A produção de açúcar havia caído em todo o país, pois o mercado internacional tinha outros produtores de peso. O Grupo Dedini passava a exportar e a produzir maquinários para outros países, cresciam a Codistil e a Mausa; a Kawazaki associava-se ao grupo. Lino Morganti transferia a Itelpa para capitais alemães. E os Morganti perdiam, definitivamente, a Refinadora Paulista – Usina Monte Alegre, Fábrica de Papel e Celulose – que passaria às mãos de Adolpho da Silva Gordo, o ex-secretário da Fazenda de São Paulo, no governo Adhemar de Barros. Silva Gordo já entabulava a compra do Engenho Central. Essa situação permitiu a ascensão da Usina Costa Pinto.

Enquanto isso, Yvone Maluf Goldschmidt via a sua butique com a griffe “Maison d’Or”, ser o local preferido das mulheres piracicabanas de maior poder aquisitivo. Se Piracicaba sofria, ainda, da crise iniciada em 1964, o “milagre econômico” era decanta do em todo o país e, nos anos seguintes, mostraria, também, a sua face às empresas piracicabanas. Uma realidade: a Prefeitura estava com o caixa alto. Fora assim com Luciano Guidotti e Nélio Ferraz de Arruda, graças a medidas adotadas pelos condutores da política econômica do governo militar. E era assim também com Salgot Castillon, no início de 1969.

Havia, porém, um grande desfalque na equipe de Salgot Castillon: Alberto Coury havia morrido, logo após as apurações, em Limeira.

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