A HISTÓRIA QUE EU SEI (X)

Gonzaga, “ademarista”
Ninguém conseguiria admitir a hipótese de Luiz Dias Gonzaga afastar-se da UDN para alinhar-se ao “ademarismo”. Mas aconteceu. Nas eleições de 1950 – em que se elegeriam o Presidente da República, Governadores, representantes das Assembléias Legislativas e no Congresso Nacional – Luiz Dias Gonzaga decidiu ser candidato a deputado estadual. Rompeu com a UDN e aderiu ao PSP. Instalou-se um “frisson” político. Imediatamente, a UDN lançou a candidatura de Érico da Rocha Nobre para enfrentar Luiz Dias Gonzaga que, com toda a sua estrutura eleitoral rural e com o apoio urbano dos “ademaristas”, se elegeu deputado estadual. E sua atuação, na Assembléia Legislativa, foi pobre, com o velho “coronel” tornando-se alvo de chacotas. Seu único projeto foi o de pretender uma redução de 20% nos vencimentos do funcionalismo público estadual. Não fez pronunciamentos, não atuou. João Chiarini – então professor primário e jornalista – afirmava e reafirmava que a única frase de Luiz Dias Gonzaga, na Assembléia, foi para perguntar a um colega “que horas eram”. Na realidade, Luiz Dias Gonzaga começava a preparar a sua herança política. E o herdeiro escolhido era seu próprio filho, formado advogado pela Faculdade do Largo de São Francisco, Bento Dias Gonzaga.

A UDN, em Piracicaba, encalhou, ficou sem lideranças. No plano nacional, o seu candidato bem-amado, Brigadeiro Eduardo Gomes, era fragorosamente derrotado por Getúlio Vargas que, com mais de 55% da votação, retomava à Presidência da República.

Em São Paulo, Adhemar de Barros conseguia eleger o seu sucessor, o engenheiro Lucas Nogueira Garcez, em quem confiava para manter intacta a estrutura “ademarista”.

Os udenistas piracicabanos sentiam-se órfãos. Foi então, que o comerciante Sebastião. Rodrigues Pinto, “Sebastião Tatu”, apelido que lhe foi dado por ser pesquisador detalhista, convidou um jovem engenheiro piracicabano, de origem espanhola, recém formado pela Escola Nacional de Engenharia do Rio de Janeiro, de nome Francisco Salgot Castillon para ingressar na UDN. O jovem engenheiro, quando estudante de Engenharia, envolvera-se na política partidária, fazendo parte da “Esquerda Democrática” – uma cisão da UDN – cuja bandeira principal era “O Petróleo é Nosso”. Nascia

o PSB (Partido Socialista Brasileiro), com João Mangabeira, Hermes Lima e outros.

Sebastião Rodrigues Pinto, ao convidar Francisco Salgot Castilon para ingressar na UDN, certamente não sabia que, com isso, lançava a semente para o surgimento de uma nova liderança política em Piracicaba. E, mais do que isso, abria as portas para que, no seio da UDN piacicabana, começasse a nascer o “populismo udenista”, a UDN com o povo e os sindicatos, a UDN abraçada pela periferia – um fenômeno político que apenas aconteceu e sobreviverem Piracicaba, com Salgot Castillon.

*CONTINUA

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