A HISTÓRIA QUE EU SEI (XII)

PTB, Chico e Valentim
O PTB, o outro braço do “getulismo”, o braço do operariado, lançou, também em 1950, em Piracicaba, dois candidatos a deputado estadual: Francisco (Chico) Castro Neves e Valentim Amaral, ambos eleitos. No PTB, Samuel de Castro Neves e Valentim Amaral faziam uma sólida aliança, mas Samuel já preparava, também, o seu herdeiro político, preferência que haveria de recair sobre o brilhante advogado Francisco, mesmo porque o outro filho, Alfredo, médico, não desejava ingressar na política apesar de vir a ser, em futuro próximo, um dos principais e mais próximos colaboradores do pai, o velho SamueI. Ocorria que Alfredinho casara-se com Geny Botelho, parente de Luiz Dias Gonzaga, criando-se, assim, uma situação familiar que tomava difícil o ingresso de Alfredo, o “dr. Alfredinho”, na política.

Ainda que muito amigo de Valentim Amaral, o médico Samuel de Castro Neves – então vereador à Câmara Municipal – explicou-lhe as razões de apoio ao filho Francisco, pela mesma legenda do PTB. Com os votos do velho “samuelismo”, Francisco se elegeu deputado estadual, vindo, quando Jânio se tomou Presidente da República, a ser Ministro do Trabalho. Por sua vez, Valentim Amaral não teve qualquer dificuldade em se eleger, capitalizando os votos que os “getulistas” lhe propiciaram, pois Valentim – um severo e respeitado fiscal de rendas, além de advogado e oficial do Exército do qual se afastara por decisão própria – era pessoa muito chegada a Getúlio Vargas. Tanto assim que, quando de suas poucas vindas a Piracicaba – quando candidato à Presidência da República, ou em apoio à candidatura a deputado de Cirillo Júnior – Getúlio Vargas costumava hospedar-se na casa de Valentim Amaral. Lázaro Capellari, prefeito de São Pedro, lembra-se de uma dessas visitas quando, aproveitando a oportunidade, Valentim Amaral solicitou um favor, para um correligionário, ao antigo ditador. Getúlio não disse sim, não disse não, mas explicou a Valentim Amaral: “Valentim, cada pessoa que tu beneficiares será mais um ingrato que tu terás na vida.” E, após a queda de Getúlio Vargas em 1945- quando o ditador foi obrigado a afastar-se por pressão dos militares brasileiros – Valentim Amaral, leal a seu chefe e indignado com a deposição, enviou um telegrama desaforado ao General Góes Monteiro, um dos condestáveis da República. Por causa daquele telegrama, Valentim Amaral sofreu grandes contratempos. Mas criara uma forma de protesto – o da carta, dos telegramas – que seria, alguns anos depois, seguida por dois de seus fiéis correligionários, Lázaro Capellari e Cássio Padovani.

*CONTINUA

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