A HISTÓRIA QUE EU SEI (XXIV)

A renúncia de Sachs
Uma das dificuldades que Luciano Guidotti tinha para conviver com sua equipe era a sua excessiva desconfiança. Mesmo em relação aos mais íntimos colaboradores, Luciano era um desconfiado. Além do mais, um homem vaidoso. Tinha uma preocupação muito grande em relação à imprensa, envaidecendo-se diante de elogios e irritando-se facilmente à menor crítica. Um de seus colaboradores mais próximos era o artista plástico Archimedes Outra, pintor consagrado, mas pessoa, também, de difícil trato.

Em relação ao vice-prefeito Alberto Volet Sachs, Luciano Guidotti o tratava com muita deferência. Era seu companheiro, homem de sua confiança. Todos os dias, pela manhã, Luciano passava na casa de Volet Sachs e o levava para vistoriar as obras da Prefeitura. Volet Sachs conhecia cada passo da administração, cada detalhe. Foi, então, que começaram a surgir comentários de que o verdadeiro Prefeito de Piracicaba era Alberto Volet Sachs, não Luciano. E tais comentários, dizia-se, tinham nascido de uma intriga de Archimedes Outra, um homem dado a articulações de bastidores. Diante daqueles comentários sobre o poder de A1bertoVolet Sachs, Luciano Guidotti, como era de seu feitio, se sentiu ofendido, a vaidade atingida. A partir daí, sem dar qualquer satisfação a Volet Sachs, deixou de ir buscá-lo para vistoriar as obras, marginalizando-o. A1berto Volet Sachs, um homem íntegro, sentiu-se ferido, pois Luciano desconfiava de sua lealdade. E renunciou ao cargo de Vice-Prefeito. E, com a renúncia e pelos motivos que a determinaram, setores que apoiavam Luciano Guidotti – especialmente da UDN e na imprensa – passaram a olhar Luciano com mais reservas: o personalismo do Prefeito começava a causar preocupações.

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