A HISTÓRIA QUE EU SEI (XXIX)

O “UDENISMO POPULISTA”
Na realidade, sem que as pessoas o tivessem percebido, estava-se nos “anos dourados”. A juventude era dourada, em sua alienação, e especialmente no rompimento inconsequente de tabus. As moças usavam calças compridas, o “jeans” que havia chegado. Os tradicionalistas inconformavam-se com a “nudez” das pessoas, principalmente o uso do corpo feminino nas propagandas. No dia 1º de Janeiro, Fidel Castro havia derrotado Fulgêncio Batista, que fugira de Cuba. Bebia-se “Cuba Libre”, rum, Coca Cola, limão. Desde 1956, com a explosão do “rock”, o mundo dançava ao som das músicas de Elvis Presley. Maysa Matarazzo ganhava as rádios e seus discos vendiam em todas as lojas, e os olhos de Maysa – “Dois oceanos não pacíficos”, como escrevera Manuel Bandeira – fascinavam as pessoas. Os discos mais vendidos e procurados eram os de Nat King Cole, cantando boleros, de Cely Campello, Neil Sedaka. Maria Ester Bueno enchia os brasileiros de orgulho, vencendo o Torneio de Wimbledon, tomando-se campeã mundial de tênis feminino. Os grandes astros do basquetebol masculino piracicabano ganhavam todos os títulos internacionais, haviam-se tomado “campeões do mundo”. Wlamir e Pecente namoravam moças piracicabanas , para ciúme e inveja de todas as outras. A juventude frequentava os estádios, delirando com o time de basquetebol. Carvalho Pinto assinava contrato para início da construção do aeroporto de Viracopos e a indústria automobilística começava a fabricação do “Fusquinha”. O Comendador Antonio Romano inaugurava as novas instalações de sua retifica, considerada a “Maior da América do Sul”. E Antonio Romano e Humberto D’Abronzo davam grandes festas, comemorando outras comendas que recebiam. Os moços vestiam-se com temos feitos pelo Mitidieri e por “Dito Alfaiate”. O CALQ comemorava seu cinquentenário de fundação, Rocha Neto era homenageado por seu jubileu de prata no jornalismo esportivo. Era moda viajar à Argentina, conhecer Buenos Aires. Nos cinemas, a grande atração eram os filmes “Amor na Tarde”, com Audrey Hepburn e Gary Cooper, e a “História de James Dean”, cuja morte ainda se chorava. A cidade se preparava para o grande Baile da Consagração, com a orquestra de Osmar Milani, promovido pela coluna jornalística “Café da Manhã”. As mais elegantes, as grandes anfitriãs traziam, para a intimidade dos leitores, nomes conhecidos da cidade. E havia torcida para a escolha das “garotas-encanto”. Era chique e “bem” freqüentar o Café Haiti, enquanto os negros faziam o “footing” no quadrilátero formado pelas ruas São José, Governador, Moraes Barros e Praça da Catedral Os políticos da situação reuniam-se na “Brasserie”, os da oposição e estudantes no bar “Giocondo”, quando, algum tempo depois, surgiu o “Senadinho”, ao lado do “Jornal de Piracicaba”, frequentado pelos “socialistas”. Havia orgulho em olhar-se para o Edifício Georgetta Brasil, o primeiro construído em Piracicaba. Projetava-se um grande edifício na Praça José Bonifácio, que viria a ser o COMURBA.

Desde 1958,já se ouvia e se cantava o “Chega de Saudade”, de João Gilberto. Era a “bossa nova” contagiando a todos. Juscelino era o “Presidente Bossa Nova”. E Salgot Castillon, naquele ano de 1959, preparava-se para ser candidato a Prefeito, na sucessão de Luciano Guidotti.

1 comentário

  1. Jairo Teixeira Mendes Abrahão em 10/11/2013 às 12:31

    Senhor Fabio Bragança.
    Favor corrigir: “Amor na tarde” foi “vivido” por Audrey Hepburn e Gary Cooper, não Clark Gable.
    Gostei muito da crônica.
    Jairo.

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