A HISTÓRIA QUE EU SEI (XXX)

O candidato único
Ninguém nunca soube de onde nasceu a idéia, se do próprio Luciano Guidotti, se de algum de seus assessores. O fato é que, em 1959, a idéia de uma união de todos os partidos em torno de um candidato único à sucessão do próprio Luciano Guidotti começou a tomar vulto. Dizendo-se “apolítico” – e era, na realidade, um homem apartidário – Luciano insistia na união de todos em torno de um só nome para a Prefeitura de Piracicaba, no caso o de Domingos José Aldrovandi, o Presidente da Câmara. A idéia prosperou, revelando, já naquela época, uma tendência de conciliação que tem marcado a vida política piracicabana, conciliação sempre em termos e em nível conservadores. A imprensa e rádio locais passaram a estimular a iniciativa e, em pouco tempo, todos os partidos políticos – incluindo os velhos líderes, Samuel Neves e Luiz Dias Gonzaga, que haviam reatado a amizade pessoal no casamento de seus parentes Alfredinho e Geny Botelho Castro Neves – aderiram ao plano que se tornou um movimento. O deputado Pacheco e Chaves, em alto prestígio por seus vínculos com Juscelino Kubitscheck, também apoiava a idéia e o movimento. Um político discordou: o vereador Francisco Salgot Castillon.

Ocorria que Salgot Castillon já estava agastado com Luciano Guidotti por diversos motivos, entre os quais o episódio em que Luciano lhe pedira, a Salgot, que fosse portador de um convite a Romeu de Souza Carvalho, diretor-presidente da MAUSA e homem de grande respeito, para ser candidato a Prefeito. Salgot desincumbiu-se da missão, convencendo um relutante Souza Carvalho a aceitar o convite. Foi, então, que Luciano se fez de desentendido e anunciou o nome de Domingos José Aldrovandi. Estava formada a crise: Salgot Castillon e a UDN não aceitavam sequer a possibilidade de uma canditatura única, e muito menos de que ela fosse representada por Domingos José Aldrovandi que tinha, como seu companheiro, disputando a vice-prefeitura, o também Comendador Humberto D’ Abronzo. Foi assim, contrariando a união em tomo de um só nome, que se deu o rompimento político de Piracicaba, com as forças retomando às suas divergências partidárias.

No dia lº de Maio de 1958, o PSB (Partido Socialista Brasileiro) realizava a sua convenção para, diante do divisionismo em que ficara a cidade, escolher o seu candidato a prefeito. E os “socialistas” acabaram decidindo-se pelo apoio a um “udenista”, Salgot Castil1on, que falava, dentro da UDN, uma linguagem de esquerda, voltada à população mais pobre. Os “socialistas” interromperam a convenção e foram à casa de Salgot Castillon, representados por Antonio Faraht, Adriano Nogueira, Enéas Salatti. O vereador Salgot Castillon pediu o prazo de uma hora para discutir o assunto com seus familiares e, logo em seguida, estava consumado o fato: os “socialistas” desaguavam na UDN; a UDN-populista, liderada por Salgot Castillon, aliava-se aos socialistas. Estava lançada a candidatura que haveria de opor-se a Aldrovandi e D’ Abronzo.

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