A HISTÓRIA QUE EU SEI (XXXIII)

A “revolução” rural
Salgot Castillon assumiu a Prefeitura no dia 1º de Janeiro de 1960, no “revéillon” de uma década que nascia com a promessa de novas e maiores transformações. Os protestos da juventude eram embalados, agora, pelas músicas de Joan Baez, pelo “folk” de Bob Dylan. Da velha Inglaterra, moços cabeludos, os “Beatles”, davam outra versão ao “rock”, disputando a preferência dos jovens junto a outros cabeludos, os “Rolling Stones”. Em Abril, dia 21, seria inaugurada a nova capital brasileira, Brasília, e a revista “Manchete” circularia com uma edição de 740 mil exemplares. Em Piracicaba, Mário Dedini iria inaugurar o alto fomo da Siderúrgica Dedini, Thales de Andrade comemoraria o 40º aniversário do lançamento de seu livro “Saudade”. A juventude intelectual defendia e aplaudia a decisão de Fidel Castro de alinhar-se à União Soviética. Aplaudia-se a campanha de Bertrand Russel em favor do desarmamento nuclear, lia-se Jean-Paul Sartre. Eder Jofre seria, naquele ano, campeão do mundial de boxe, em Los Angeles. O Teatro Brasileiro de Comédia (TBC) encerraria as suas atividades, mas apareciam o Teatro de Arena, a Oficina e a figura transformadora de Augusto Boal. Jânio Quadros se transformava em um fenômeno político, empolgando multidões em sua marcha para a Presidência da República. Os Estados Unidos mostravam a sua nova cara ao mundo, cara de John e de Jacqueline Kennedy.

Logo nos primeiros dias de seu mandato, Salgot Castillon teve que enfrentar, como prefeito, as enchentes do rio Piracicaba, as maiores que haviam acontecido desde 1929, quando ocorrera a grande invasão das águas. Mesmo antes de sua posse, Salgot Castillon definira uma de suas prioridades administrativas: a modernização da zona rural, que houvera sido relegada a plano secundário durante a administração de Luciano Guidotti. Havia máquinas, o Governador Carvalho Pinto facilitava créditos às prefeituras através da Caixa Econômica Estadual. Antes até de ser diplomado, Salgot autorizara – para cumprir a partir de sua posse – que os Irmãos Capellari começassem a levar eletrificação ao campo. Começou por Tanquinho. Logo em seguida, vieram outras localidades: Serrote, Pau D’Alhinho, Santa Olímpia, Santana, Conceição, Vila Nova, São Jorge, Nova Suiça, Campestre, num ritmo de avanço na zona rural que não tivera precedentes no país. Em seguida, veio a telefonia rural, iniciativa que a imprensa da época afirmava ser pioneira em toda a América Latina. Levaram-se telefones públicos para centros e comunidades rurais de todo o município: parte de Santana, Negri, Volta Grande, Serrote, Conceição, para sítios vizinhos ao bairro de Dois Córregos, para Tupi, Campestre, Divisa, Sertãozinho, etc.

Tratou-se, realmente, de uma “revolução na zona rural”, num momento histórico em que, em todo o país, já começava o êxodo rural que também chegou a Piracicaba.

Salgot Castillon quis e tentou fixar o homem no campo. Mas o irreversível e caótico processo de industrialização brasileira era de âmbito nacional.

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