A HISTÓRIA QUE EU SEI (XXXIV)

Canteiro de obras
Os historiadores, quando se debruçarem sobre o passado de Piracicaba, buscando pistas para o processo de desenvolvimento urbano, haverão de concluir que, na realidade, Luciano Guidotti foi o pioneiro, dado o seu arrojo e também ao conjunto de fatores que possibilitaram a modernização por ele pretendida. No entanto, será impossível deixar de constatar que foi na administração de Salgot Castillon – um populista da UDN – que aconteceu o maior e mais expressivo número de obras realizadas. O pioneirismo de Luciano Guidotti pode ter-lhe dado a notoriedade que o transformou em mito. Todavia, foi com Salgot Castillon que Piracicaba assistiu a transformações ainda maiores. A cidade se transformou num canteiro de obras, que eram atacadas em todos os quadrantes do município.

Nesse trabalho se destacava a presença do engenheiro Fausto Fonseca Filho.

Se se fazia a chamada “revolução rural”, via-se a mudança da fisionomia da cidade. Construiram-se praticamente todos os jardins públicos ora conhecidos: de grupos escolares – dr. Prudente, José Romão, do grupo Barão de Rio Branco – o ajardinamento da Avenida Armando de Salles Oliveira, a segunda parte da Praça da Saudade, a Praça Takaki, etc. E foi construído o novo Mirante, uma obra ousada que empolgou a cidade, pois o velho Mirante estava em destroços e no mais completo abandono. Apenas no primeiro ano de sua administração, Salgot Castillon havia pavimentado mais de 90 mil metros quadrados na cidade.

Construiu-se o Estádio Municipal, cujo nome, Barão de Serra Negra, foi dado por indicação do vereador Jaime Pereira, algum tempo mais tarde, com obras concluídas depois, por Luciano Guidotti.

Completou-se o grande reservatório de águas na rua 15 de Novembro, próximo ao Cemitério, estendendo-se a rede de água para locais que não eram servidos: Paulicéia, Areião, Vila Independência, São Dimas, grandes extensões de Vila Rezende que, também, passaram a contar com rede de esgotos. A primeira iluminação pública fluorescente aconteceu naquela administração. E surgiu a Avenida Beira Rio, mudando toda a fisionomia daquela belíssima área da cidade de Piracicaba.

A Prefeitura, na administração do “populismo udenista” – ou do “udenismo populista” – realizou um projeto que causou “frisson” no Estado de São Paulo: a construção da Estrada Piracicaba – Rio Claro. Tratava-se de uma antiga reivindicação dos moradores das duas cidades, uma necessidade básica. Mas os governos estaduais não a atendiam.

Foi quando o Governador Carvalho Pinto propôs e Salgot Castillon aceitou: se a Prefeitura de Piracicaba construísse a estrada, o Governo, através do DER, a asfaltaria. E foi o que aconteceu: com a permissão de proprietários de sítios e de fazendas, Salgot Castillon foi – sem qualquer ônus para o município ou para o Estado – abrindo a estrada, com máquinas da Prefeitura. Depois de pronta, o Governador Carvalho Pinto mandou asfaltá-la.

Quando se passaram cerca de 20 anos daquele evento, o advogado José Ortiz Monteiro, com procuração daqueles mesmos proprietários, conseguiu que eles fossem indenizados…

Tratava-se, finalmente, de uma administração que conseguia atender aos interesses tanto do chamado “centro da cidade”, como da periferia e da zona rural. E a popularidade de Salgot Castillon acirrou, ainda mais, os ânimos e as rivalidades de “salgosistas” e “guidotistas”.Estava criada uma incompatibilidade que não teve mais fim.

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