A mítica Rosa de Jesus, mãe dos pobres

Tendo nascido em 1791, ela se tornou uma das mais míticas personalidades piracicabanas. Falecida em 1885, Rosa Freire de Jesus entrou no imaginário coletivo,sendo inúmeras as histórias que dela se contam, levando-a ao nível do lendário. Sua fama de mulher generosa e santa espalhou-se entre as pessoas mais humildes e, após sua morte, tornaram-se comuns as manifestações por assim dizer religiosas que se fizeram em sua memória, de maneira especial à margem direita do rio, nas proximidades de onde morara.

Em seu monumental livro “Medicina em Piracicaba” (Contribuição à sua história), o médico e historiador Oswaldo Cambiaghi faz referências à Rosa Freire de Jesus,incluindo-a entre os que exerceram a medicina, em Piracicaba, no século XIX. Registra Oswaldo Cambiaghi:

“Rosa Freire de Jesus, sem se rmédica, possuía algum conhecimento de alopatia que lhe permitia,naqueles recuados tempos em que escasseavam até mesmo os físicos-barbeiros, obter numerosas curas. (NR: físicos-barbeiros eram os práticos de medicina em tempos antigos.)”

Para se avaliar o carinho que cercava a vida de Rosa de Jesus, o mesmo historiador reporta-se à nota que a “Gazeta de Piracicaba” publicou quando do falecimento dela :”Na noite de 16 de dezembro de 1885, após grandes sofrimentos, faleceu nesta cidade aquela a que chamavam ‘a mãe dos que padecem’. Contava 94 anos de idade e era a última de 12 irmãos, já falecidos,filhos de Bento Alexandre Freire que, em fins do século passado, viera de Porto Feliz com toda a família, estabelecer-se na margem esquerda do rio Piracicaba,onde pouco abaixo do salto montara um engenho de açúcar.”Bento Alexandre, chegando a Piracicaba, tornou-se lavrador,trabalhando a terra com os filhos e, em pouco tempo, conseguiu respeitável posição econômica.Um dos netos de Bento e,portanto, sobrinho de Rosa de Jesus, tornou-se um dos nomes mais expressivos da medicina em Piracicaba, dr. Norberto de Campos Freire, que estudou na Europa, cursando a Universidade de Wurzburg, na Baviera. Um outro, Major Fortunato de Campos Freire, foi voluntário e herói da Guerra do Paraguai.

Segundo o relato da “Gazeta”, citada por Cambiaghi, Rosa de Jesus era “excelente alopata,atestado por milhares de curas felizes e por apreciações de muitos médicos nacionais e estrangeiros.” No final da vida, Rosa Freire de Jesus recolheu-se a uma pequena chácara, à beira rio e próxima do salto, que passou a ser visitada por todos quantos precisavam dela, especialmente os humildes e os escravos. A”Gazeta” diz que a chácara era “conhecida por suas belas flores e mais por um romântico ‘lagosinho’,todo cercado de flores, resedás e jasmins, em cuja sombra ela gostava de ir à tarde, contar histórias dos tempos que não voltam mais”.

Segundo o historiador Jair de Toledo Veiga, o pai de Rosa Freire, Bento Alexandre Ribeiro,teria sido “o primeiro fundador de uma capela existente na margem direita do rio – mais ou menos no centro das terras da Nova Piracicaba – fazendo dessa capela, padroeira Nossa Senhora dos Prazeres”. Seria onde, atualmente, está o Santuário da mesma santa.Há registros de que Rosa Freire de Jesus, antes de morrer,vendeu a sua idílica casa para Eduardo Salaz, por “800$000”,descrita como “morada de cazas que possue nesta cidade à beira do Rio Piracicaba com seis frestas na frente e seu competente quintal,cercado de guarantã”. A casa fazia divisa, por um lado, com a Companhia de Navegação Fluvial, o que permite supor estivesse próxima ao salto, à margem direita.

(Memorial de Piracicaba, Fasciculo_14, 7/1/2004, pg.323,Cecílio Elias Netto)

1 comentário

  1. Luciana Tripoli em 15/08/2017 às 07:41

    Por favor como faço para obter um exemplar do livro de Oswaldo Cambiaghi? Sou bisneta e neta de cidadãos piracicabanos, sendo minha bisavó filha do Sr. José Bicudo de Aguirra. Grata!

Deixe um comentário