Antônio Pinto de Almeida Ferraz (por João Chiarini)

Antônio Pinto de Almeida Ferraz – “Dr. Toninho Pinto”. Aposentou-se em 04 de março de 1939, na Escola Normal Oficial de Piracicaba. Bacharel em Ciências Políticas e Sociais, pelas Arcadas, em São Paulo, no século passado.

Fundador da Loja Maçônica Capitânea – Piracicaba. Também do “Jornal de Piracicaba”, em 04 de agosto, de 1900.

Jornalista talentos o, culto e erudito. O maior de todos os tempos. Orador em várias línguas. E que tremendo discursador.

Polígrafo, polimático, polifacético conhecia tudo. E o que não sabia, estudaria e após alguns dias, – exporia o tema que lhe fora perguntado com um conhecimento e uma precisão matemáticos.

Quando faltava algum mestre no Curso de Formação Profissional de Professor – a gente pedia-lhe que expusesse para nós a matéria que seria dada. E o fazia com uma firmeza inigualável. E ao final, brindávamos-nos, dizendo os versos dos poetas mundiais em as suas respectivas línguas: Frederico Garcia Lorca, Goethe, D’Annúnzio, Puskin, T.S. Elliot, Rapisardi, Stecchetti etc. E despedia-se falando Castro Alves.

Na minha busquei-o quanto o pude. Procurava-o em a sua residência à Rua Riachuelo; à casa de sua irmã, fronteiriça à minha, em a Rua Moraes Barros; em a Rua do Porto, na Curva do Almirante, onde trajado de libré, com um guarda sol verde, contemplava o cair da tarde sobre as águas.

Um homem triste. Nunca o vi sorrir. Sê-lo-ia, por que a esposa ficara cega ao parto? Certa vez encontrei-o lendo um grosso volume de Shakespeare. Espantosamente a obra, creio que completa, capa escura, letras em ouro, formato de lista telefônica, mais de 800 páginas, estava cheia de anotações em tinta de escrever!

Positivista ardoroso, veemente. Após a sua aposentadoria transferiu-se para Belo Horizonte, onde falecera.

Conheci quase todos os seus filhos: Ábmés, Cecília, Dargo, recentemente falecido. Todos gênios. Ábmés recusou-se a ser Ministro (de Estado) da Agricultura, no Governo Militar do General Castello Branco.

Piracicaba não lhe esqueceu totalmente: foi patrono do Ginásio Estadual, entre a Rua Cristiano Cleopath e rua Marechal Deodoro, cujo nome foi abolido em a Reforma de 1960; a Academia Piracicabana de Letras tem uma cadeira com o seu nome, ocupada por Fernando Ferraz de Arruda; há uma rua que lhe homenageia, indicação minha e situada em o Bairro do Jaraguá.

Em a próxima Sessão Nacional da Academia Piracicabana de Letras, dia 30 de julho, às 14 horas, sábado, no Salão dos Atos, do “Cristóvão Colombo”, estará ela concedendo o Diploma a 30 escritores, contendo como o homenageado-geral Antônio Pinto de Almeida Ferraz.

 

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