Carlos Bartolomeu de Arruda Botelho

Uma das mais fascinantes figuras dos primórdios de Piracicaba é Carlos Bartolomeu de Arruda Botelho, que está por merecer não apenas um estudo mais amplo dos historiadores, mas, também, um romance de largo fôlego. Carlos Bartolomeu de Arruda foi Comandante Geral de Ordenanças, na povoação piracicabana, nomeado em 1791, após a morte do capitão-povoador Antonio Correa Barbosa.

Cruel, despóstico, irreverente, audacioso, atrabiliário, violento, ousado, passional, Carlos Bartolomeu de Arruda Botelho foi capaz de tudo, em sua época. Espancou brancos e negros, invadiu terras, distribuiu-as a amigos e capangas, enfrentou governantes e representantes da Igreja Católica e — grande atrevimento para a época! — desafiou a todos com o seu tórrido romance adúltero com Maria Flor de Moraes, o primeiro caso de paixão clandestina em Piracicaba. Carlos Bartolomeu – cuja ganância foi transmitida a seus herdeiros próximos, mulher e filhos – fez-se senhor de terras que iam “desde a barra do Itapeva para além do bairro da Paulista, partindo do rio, uma légua de extensão, até o Piracicamirim”, segundo Alexandre Guimarães dos Santos, na “Revista de Estudos Piracicabanos”, 1972, Ano I, nº 1.

Num tempo em que a Igreja Católica se confundia com o próprio governo, Carlos Bartolomeu de Arruda Botelho infernizou a vida dos padres que prestavam serviços em Piracicaba. É dele a frase, segundo queixa dos moradores da povoação, em 29 de dezembro de 1802: “é melhor correr veados do que ouvir missa.” Assim, Carlos Bartolomeu, diante de uma população quase toda formada por desterrados e marginalizados, impôs a sua força, embaraçando até mesmo a construção da primeira igreja, que causava espanto e indignação nos que a viam. Vicente da Costa Taques Goes e Aranha, tentando averiguar o que ocorria em Piracicaba, relatou que Carlos Bartolomeu impedia as obras do templo, “achando-se a chamada Igreja Paroquial em tão indecente e em tão deplorável estado que passa a sacrílega a sua conservação”, registrando que “ali, nem se teme, nem se conhece ao Deus Supremo.”

Quando afastado de seu cargo, Carlos Bartolomeu de Arruda Botelho conseguiu, ainda, apoio dos militares da época e lá se foi por toda a região de Piracicaba, perseguindo os escravos fugitivos que formavam os seus quilombos. À luz de uma visão histórica sem preconceitos e falsos moralismos, a figura de Carlos Bartolomeu passa a ser fascinante e — por que não? — talvez fornecedora de pistas para o conservadorismo patrimonialístico de outras muitas gerações de piracicabanos.

3 comentários

  1. Marcelo Corsi em 29/08/2014 às 16:54

    Muito me apraz saber um pouco da vida deste HOMEM que por destino vem a ser o avô de minha tataravó,Candida Maria da Pureza de Arruda Botelho,filha de Carlos José Botelho(o Botelhão).Infelizmente não se fabricam mais Homens deste calibre,que pela bravura,firmeza de propósitos,audácia e tantos outros predicados,enfrentando a tudo e a todos,conseguia impor seus propósitos pela força de seu caráter.Espero que eu tenha herdado pelo menos um pouco desta ousadia e deste destemor.

    São Carlos,29 de Agosto de 2014.

    Eng.Marcelo Corsi.

    • Escrevo sobre genealogia e tenho a sua tataravó,Candida Maria da Pureza de Arruda Botelho e o esposo João Baptista de arruda, não tenho os filhos e descendência, nem fotos deles. É necessario datas de : nascimento, casamento, óbito, batismo, profissão curiosidades, etc. Se puder ajudar, ficaria muito feliz em anexá-lo e toda sua familia.
      Um abraço
      Bragança Paulista, 06 de set de 2014
      Prof Aristeu Soares de Campos

  2. Marcelo Corsi em 08/09/2014 às 18:00

    Caro Prof.Aristeu Soares de Campos,

    Será com muito prazer que tentarei levantar os dados solicitados,pelo que peço um prazo para não cometer qualquer deslize nas informações.

    Att,

    Marcelo Corsi.

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