Francisco Lagreca, Poeta de Piracicaba

Francisco de Castro Lagreca é o nome completo daquele que se tornou nacionalmente conhecido como “O Poeta de Piracicaba”. Nascido nesta cidade, em 11 de março de 1883, Francisco Lagreca estudou Direito na Faculdade do Largo de São Francisco, tornando-se amigo de figuras notáveis da intelectualidade brasileira, tais como Olavo Bilac, Batista Cepelos, René Thiollier. Em 1906, bacharelou-se pelas “Arcadas” famosas e já se tornara conhecido pela beleza de seus versos.

Colaborou intensamente com os jornais “Diário da Manhã”, “Diário de São Paulo”, “A Manhã”, “Jornal do Commercio”, nas revistas “A Cigarra”, “Vida Moderna” e outras publicações. Em Piracicaba, a sua intensa produção literária foi publicada no “Jornal de Piracicaba”. Já aos 13 anos de idade, Lagreca se revelara poeta de rara inspiração. Foi quando escreveu o poema “O Salto”, que despertou no também poeta, Brasílio Machado,

admiração e respeito. Foi inspirado no espetáculo descrito por Lagreca, em “O Salto”, que Brasílio Machado escreveu o poema que se tornou um dos símbolos de “Piracicaba”, no qual fixou a imagem da “Noiva da Colina”.

Ao se ler “O Salto”, não há como não se impressionar diante dos versos fortes e do vocabulário riquíssimo para um menino de 13 anos. A primeira estrofe basta para enfatizar essa admiração:

“Bravio, intrépido, indomável,

Como se fossem leões na jaula impenetrável,

O rio, com as jubas crespas, vem rolando,

Vem avançando,

Numa fatal carreira,

Até cair na pedreira.

Ruge, reboa, atroa, fala, canta,

E a espumarada ferve, referve,

sobre o leito,

Que é como o peito

De um imenso gigante.”

Francisco Lagreca foi premiado com menção honrosa pela Academia Brasileira de Letras com o poema “Cidade do Amor” e outro, “Alma Nova”, recebeu prêmio da Liga Nacionalista, sendo adotado nas escolas primárias do Estado de São Paulo. São seus, também, os versos – vencedores em concurso público promovido pela Biblioteca Municipal de Piracicaba – gravados no Monumento ao Soldado Constitucionalista de 1932.

Casou-se com Luiza Capellari Lagreca. Teve vida atribulada e a poesia foi o centro de sua existência. Participou, em 1922, do movimento que criou a “Semana da Arte Moderna”, marco na vida cultural brasileira, ao lado de Graça Aranha, Mário e Oswald de Andrade, Guilherme de Almeida e outros. Sua monografia “Apologia da Arte Moderna” insuflou ainda mais as grandes discussões artísticas daquele tempo. No entanto, o centro de sua poesia foi Piracicaba, as coisas e a gente piracicabana.

Em 1959, em 1º de agosto, o então Departamento Municipal de Cultura de Piracicaba, através da Editora Aloisi, publicou o livro, que se tornou clássico piracicabano, “Poesias”, de Francisco Lagreca. Prefaciando o livro, o jornalista Losso Netto escreveu:

“Francisco Lagreca pode ser chamado o poeta de Piracicaba por excelência. Ninguém foi mais fiel, nem mais constante, em seu arrebatado amor pela cidade natal. Ninguém lhe descreveu as belezas naturais com maior paixão. (…) tudo fala gritantemente de Piracicaba, imprimindo uma veracidade tão fiel, que se sente o poeta e a terra em comovedora comunhão.”

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