Frei Paulo Maria de Sorocaba

Frei Paulo Maria de Sorocaba (João Batista de Melo) nasceu em Sorocaba, na antiga rua Santa Cruz da Composição, em junho de de 1873.

Com 10 anos, ele já gostava de pintar. “Foi quando, ai por 1886, o menino João Batista passou a receber lições de Antônio José da Rosa, que residia há tempos em Sorocaba. Ourives de profissão, era desenhista, entalhador e músico. Deu a João Batista todas as lições de Desenho a “crayon”, de método de desenho, de gravuras litografadas e de retratos e fotografias.”

De 1887 a 1891, sem esquecer o desenho e a pintura, João Batista se empregou com um tio materno a pintar paredes, imitando madeira e mármore. E nos oito anos seguintes o pequeno pintor trabalhou, sem sair de casa, a arte fotográfica.

Em 30 de outubro de 1899 faleceu seu pai. Sua mãe já falecera anteriormente e agora lhe restavam apenas seus dois irmãos, José e Francisco.

A vocação então se fez ouvir. E, no dia 25 de dezembro de 1899, dirigiu-se para o Convento de São Francisco em São Paulo, então sob os cuidados dos Capuchinhos trentinos que haviam chegado ao Brasil.

Atendido pelo próprio Comissário Provincial Fr. Bernardino Lavalle, este lhe opõe um grande obstáculo: sua saúde talvez fosse insuficiente para os rigores da Ordem. Voltou para Sorocaba, quando pegou uma febre amarela.

Resolveu tentar pela segunda vez, dirigindo-se aos superiores através de um amigo de sua família, Cônego Lessa. Em agosto de 1900 partiu para o Convento de São Paulo, ali ficando até o dia 5. No dia 6 o Pe. Fr. Bernardino leva-o a Piracicaba – Convento Sagrado Coração de Jesus. Sua grande ambição de receber o hábito Franciscano realizou-se no dia 11 do mesmo mês.

Ele mesmo registrou: “No dia 11 de agosto às 16h30 começou a cerimônia da Vestição. O P. Mestre (Fr. Félix de Lavalle) enalteceu tanto a vocação que Deus me concedeu, e foi tanta a comoção que senti que não pude resistir – chorei na igreja. Então deixei o João Batista de Melo para receber o Fr. Paulo Maria de Sorocaba”.

Nos primeiros anos de vida religiosa, Fr. Paulo passou em Taubaté no humilde oficio de cozinheiro. Nos momentos livres dedica-se à pintura e à música. No dia 13 de agosto de 1901 emite os votos simples. Em 1903 é enviado como Catequista missionário aos sertões de Campos Novos do Paranapanema, onde a 28 de agosto de 1904, professa solenemente nas mãos do P. Fr. Daniel de Santa Maria. – Dali volta doente para São Paulo, em dezembro de 1906 e passa a exercer o oficio de porteiro e sacristão no Convento Imaculada Conceição.

No mês de janeiro de 1908, obedecendo à Congregação Comissarial e ao Comissário Provincial Fr. Camilo de Valda, transfere-se para o Convento São Francisco – do Largo São Francisco. Ali permanece até o dia 13 de fevereiro de 1909, quando os capuchinhos deixam definitivamente aquela casa.

Ciente dos dotes artísticos do humilde irmão, o superior Frei Afonso de Condino resolve mandá-lo à Europa. Frei Paulo parte para Trento no ano de 1912. Lá se dedica à pintura sob orientação do célebre pintor Camilo Bernardi, da Escola de Munique. Em Rovereto recebe lições de Antônio Meyer, da Escola de Veneza. Tornou-se amigo de outros pintores.

De volta ao Brasil, e passados dois meses em São Paulo, foi para o Convento de Piracicaba, onde permaneceu por 10 anos. Mais tarde residiu em Botucatu (1923) e Santos.

A 10 de dezembro de 1928, está entre o primeiro corpo docente que inaugura o Seminário Seráfico São Fidélis em Piracicaba, onde residiu até o final de sua vida.

Centenas de quadros e obras de Frei Paulo estão espalhados por conventos no Estado. Em seu atelier aparecia um pouco de tudo: terra cota, paisagens e natureza morta, a óleo, aquarela, bico de pena, crayon, carvão…

Além das aulas aos seminaristas, desde 1928, ensinava também graciosamente os alunos da cidade, e que hoje são artistas considerados, como: Angelino Stella, Eugênio Nardin, Manoel Martho, Álvaro Sega, e outros muitos que seria longo enumerar. Frei Paulo foi também músico de destaque.

Sempre franzino e perseguido por doenças, Frei Paulo encontrava tempo ainda para construção de meridianos e relógios solares. Averiguou com precisão um deslocamento do Eixo da Terra, anunciado pelos cientistas. Estudava e desenhava fases de eclipses.

Participou de muitas exposições. Em 1954, em Piracicaba, no 2º salão de Belas Artes, foi premiada sua obra “Caveira”, atualmente no Seminário Seráfico. No dia 2 de maio do mesmo ano, foi recebido solenemente e cumprimentado no Museu Sorocabano, onde deixou quatro telas de sua autoria.

Seu estado de saúde foi se abalando. Resignado e dócil à vontade divina fazia dos sofrimentos e da vida uma holocausto. Após longa enfermidade, agravada por uma queda, faleceu santamente a 11 de julho de 1955, no Seminário São Fidélis em Piracicaba. Ali residia há 27 anos e tinha 82 anos de idade.

Por ocasião do Centenário de seu nascimento, a Ordem e seus ex-alunos piracicabanos realizaram celebrações religiosas e culturais. E maio de 1973 o então prefeito Adílson Maluf trazia tais comemorações para o âmbito municipal e oficial, nomeando uma Comissão para o Centenário. Oficialmente foram determinados os dias 18 a 24 de junho de 1973 para a SEMANA FREI PAULO MARIA DE SOROCABA, quando houve grande Exposição de pinturas e obras artísticas na Pinacoteca Municipal.

Dessas obras, 52 (cinqüenta e duas) eram de autoria de Frei Paulo; 39 (trinta e nove), eram de seus ex-alunos; 17 (dezessete), de outros artistas piracicabanos; as demais, pertenciam ao acervo municipal.

FREI PAULO é nome de Rua em São Paulo e em Piracicaba.

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