Joaquim Luiz: de poeta e louco, ele tinha um pouco

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(imagem: reprodução Pixabay)

Joaquim Luiz da Silva deve ter sido – pelas anotações e pesquisas de Jair Toledo Veiga – uma personalidade singular em Piracicaba. Jornalista, conferencista, escritor, humorista, autor de peças de teatro e ator, teve vida venturosa, metendo-se em grandes encrencas. Nasceu no dia 6 de julho de 1856, de família abastada, filho de Joaquim Luiz da Silva Lopes.

Joaquim Luiz editou, em Piracicaba, desde agosto de 1882, o jornal quinzenal, “A Rizada”, altamente crítico, a partir do qual foi processado diversas vezes. O jornal era impresso no então prestigiadíssimo “Correio Paulistano”, de São Paulo, então dirigido pelo neto do respeitável Joaquim Roberto de Azevedo Marques. E, além de “A Rizada”, Joaquim Luiz teve também, no final do século passado, um jornal com o nome de “Diário de Piracicaba”.

Foi autor de uma revista teatral que se tornou famosa conforme os registros da época, “O Manduca”, que foi muitas vezes apresentada no Teatro Santo Estêvão. Joaquim Luiz teve que vender tudo, incluindo todos os cenários da revista, para pagar dívidas. Pois sua vida se havia complicado, já que, tendo-se casado com a modista Francisca Neves da Silva Braga, eis que a digna senhora – que devia ser belíssima, pelos testemunhos da época – lá por volta de 1908, traiu Joaquim Luiz com um telegrafista da Sorocabana. O nosso jornalista matou o amante da mulher, foi a julgamento e absolvido por unanimidade. Mas, desgostoso, deixou de tudo, acabou mudando-se para São Paulo, onde morreu em 14 de setembro de 1928.

[este texto foi publicado, originalmente, na edição impressa de “A Província” – outubro/1998.]

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