José Luiz Guidotti

Misto de árbitro de futebol, jornalista, escritor e navegador fluvial, José Luiz Guidotti nascido em 28 de setembro de 1941, tornou-se um nome de destaque quando, em 1977, dirigiu o jogo América x Marília, um clássico do interior, válido pela Divisão Especial do campeonato da Federação Paulista de Futebol. Foi sua primeira partida na mais importante divisão do futebol profissional paulista.

Guidotti foi vereador em Piracicaba de 1964 a 1969 e faleceu (12/06) aos 65 anos , deixa esposa Vera Lucia Fernandes Guidotti , e os filhos Luiz, Carlos Eduatrdo, José Luiz, Paulo César, Kátia Cristina, Kely Cristina e Luciano. Seu corpo será velado no Salão Nobre “Helly de Campos Melges” da Câmara de Vereadores de Piracicaba.

Dono da melhor nota até hoje conseguida por um aluno da Escola de Árbitros da Federação Paulista – formou-se na turma de 1971/72 com média 93,35 em Regras do Futebol e 96,50 em Legislação Esportiva, tendo como professores nas respectivas matérias Flávio Iazetti e Pedro de Andrade, quando a entidade era presidida pelo Dr. José Ermírio de Moraes. De diploma na mão e bandeira na outra, Guidotti estreou como auxiliar de linha numa partida válida pelo Campeonato Paulista de Dente-de-Leite, realizado na rua Comendador Souza.

Junto com ele, formaram-se Ulisses Tavares da Silva Filho, João Leopoldo Ayeta, Elziro dos Santos, Ivo da Costa Júnior, Antonio Carlos dos Santos Loupo, Antonio de Paula e Silva, David Aveiros, João Leal Neto, Euclydes Fiori, Oswaldo Basso e José Teixeira entre outros. Durante os quase 14 anos em que permaneceu integrando o quadro da Federação Paulista de Futebol, José Luiz Guidotti dirigiu mais de 800 partidas. Em 1978, um ano após a estréia como árbitro da Divisão Especial, ele passou a integrar o Quadro Nacional da antiga CBD, hoje CBF.

Perguntado porque abandonou a profissão, ele foi taxativo: “não agüentava mais as longas viagens e estava cansado da vida de árbitro”.

Guidotti tem na sua história de vida fatos marcantes e curiosos. Um deles, talvez o mais intrigante de todos foi que depois que deixou a arbitragem, não assistiu a nenhuma partida de futebol, seja nos campos, seja na TV. “Não assisto nem mesmo finais da Copa do Mundo e por esse motivo não conheço a nova safra de apitadores. As apitadoras menos ainda, pois no meu tempo de arbitragem as mulheres não tinham vez”, disparou o ex-árbitro.

Outro fato curioso na vida de Guidotti foi que um ano após se formar, em 1973, ele comandou o primeiro curso de árbitros promovido pela A.P.A.F.E.S.P. – Associação Profissional de Árbitros do Estado de São Paulo, na época, presidida por José Astolphi, que deu origem ao Sindicato dos Árbitros de Futebol do Estado de São Paulo.

O navegador

Guidotti sempre foi um apaixonado pelas águas. Quando tinha apenas 10 anos de idade pediu ao pai uma bicicleta de presente. Ganhou um barco a motor. Nascia naquele momento uma apaixonante história de amor pelas águas. Na sua primeira incursão pelo Rio Piracicaba, ele se perguntou: “para onde vai tanta água?”

Na escola descobriu que o Rio Piracicaba era afluente do Tietê, que por sua vez desaguava no Paraná, que chegava até Buenos Aires. Essa descoberta o levou a sonhar com uma navegação de Piracicaba a capital Argentina.

Essa idéia amadureceu quando ele ainda era árbitro e foi levado pelas mãos de José Astolphi a ser sócio num rancho na barranca do Rio Paraná, mas a arbitragem lhe tomava todo o tempo.

Em 1988, quando já havia deixado os gramados, Guidotti começou a planejar a tão sonhada viagem que, tornou-se realidade em 1990. Naquele ano, em companhia do filho Luciano, deixou Piracicaba num pequeno barco de alumínio e depois de 33 dias de viagem, chegou, não a Buenos Aires, mas em Montevidéu, a 150 quilômetros do mar. O sonho acalentado há 40 anos era um fato concreto.

A partir daí, Guidotti não parou mais. Em 1991 navegou todo o Rio Piracicaba; em 1992 foi a vez do Tietê, com passagem inclusive pela capital paulista; em 1994 navegou de Piracicaba a São Simão, em Goiás; em 1995 fez o trajeto do Cone Sul, chegando a Puerto Iguazú, na Argentina. Em 1977 navegou da nascente a foz do Paraíba do Sul; no ano seguinte subiu o mapa do Brasil, saindo de Barra do Garças, no Mato Grosso, pelo rio Araguaia, até chegar em Belém do Pará. Três anos depois, Guidotti realizou a Navegação Mercosul 2000, saindo de Piracicaba e chegando a Buenos Aires, percorrendo 3.300 quilômetros em 25 dias.

Nesta viagem, sua performance emocionou tanto os argentinos que lhes outorgaram o título de “Maior Navegador Fluvial do Mundo”, convidando-o a comandar a “Travessia Buenos Aires – São Paulo”, cuja primeira parte do percurso foi realizada no ano passado, com a equipe chegando a Foz do Iguaçu. Em 1º fevereiro deste ano, a viagem teve á seqüência e os navegadores aportaram em Piracicaba, no sábado, 14 do mesmo mês.

O escritor

Um a nova atividade surgiu na vida de José Luiz Guidotti, de forma natural, como conseqüência de sua paixão pelas águas. Como em todos os outros segmentos em que atua e atuou, este também foi marcado pelo sucesso.

Guidotti é autor de 11 livros: “Aventura na Bacia do Prata”; “Navegando pelo Piracicaba”; “O Tietê sem segredos”; “Diário de Bordo”; “Navegando pelo Paraíba do Sul”; “Rio Corumbataí”; “Guidotti – A Saga de uma Família”; “Bela Vista Nauti Clube – 40 anos de História”; “Sindicato do Comércio Varejista de Piracicaba – 65 anos de Conquistas”; “O Centenário de Luciano Guidotti” e “Asas de Piracicaba”.

Títulos e homenagens

José Luiz Guidotti é ainda um colecionador de honrarias, tendo recebido homenagens expressivas ao longo de sua vida como a Medalha do Mérito do Bi-Centenário de Piracicaba (1967); Medalha José Bonifácio de Andrade e Silva, concedida pelo Instituto de Heráldica e Medalhística do Brasil (1992); Cidadão Portofelissense (2000); Destaque Ambiental 2001, pelo CONDEMA de Piracicaba; Sócio Honorário do Bela Vista Nauti Clube (2001); Medalha “Amigo da Marinha” – Marinha do Brasil – (2001); Troféu Fumaglli da cidade de Limeira (2003); moção de aplausos da Câmara de Vereadores de Piracicaba pelo título de “Melhor Navegador Fluvial do Mundo” (2003); moções de aplausos das Câmaras Municipais de Aparecida do Tabuado; Sabino e São Pedro. Foi declarado Hóspede Oficial nas cidades de Jaú, Perderneiras, Valparaíso, Itapura, Barbosa, Pereira Barreto e Sabino.

José Luiz Guidotti é ainda membro do Instituto Histórico e Geográfico de Piracicaba; da Academia Piracicabana de Letras, ocupando a cadeira 21, tendo como patrono Affonso de E. Taunay; sócio do Panathlon Clube de Piracicaba; Sócio Honorário do Rotary Club Paulista; presidente do Tribunal de Justiça Desportiva de Piracicaba.

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