Norma Jean Dresselt Dedini

Alegria e coragem, esses são os adjetivos que definem Norma Jean Dresselt Dedini.

Em 2008, Norma Dedini, com 80 anos, recebeu o Título de Cidadã Piracicabana e com graça, entusiasmo e um leve sotaque americano, contou as histórias de sua vida que faziam seus lindos olhos azuis brilhar.

Nascida em Gloversville, no Estado de Nova York, nos Estados Unidos, era filha de Ruth Antonet Chamberlain e William Dresselt e teve três irmãos, Willian Junior, Frederic e Donna. Norma sempre manteve contato com a família e amigos em sua terra natal. Durante a infância e adolescência tocava clarineta na banda do colégio, que era muito premiada em concursos musicais. Posteriormente formou-se em educação física e especializou-se em dança. Desde criança já se apresentava com o irmão em espetáculos de dança e sapateado. “Eu era muito ligada à minha família, mas muito independente também”, contou.

Em 1950, conheceu o empresário piracicabano Armando Dedini como seu aluno de dança. “Norma achava que Armando era um operário no Brasil e casou-se com ele apaixonada e por amor”, disse Otília Furlan Dedini, sogra de Norma.

Em menos de três meses os dois se casaram em Albany, os Estados Unidos e vieram morar no Brasil. O pai e irmã de Armando – o Comendador Mário Dedini e Nida – foram para a cerimônia celebrada na igreja de Santo Antônio da Comunidade Cristã. “Eu não sabia nada sobre o Brasil, só o que via nos filmes. Achava que aqui iria encontrar baianas e índios, explica rindo.

A viagem de navio até Santos durou 20 dias e ao desembarcar em terras brasileiras, o casal foi recepcionado com uma festa. “Eu organizei o almoço de chegada. Estavam presentes amigos e parentes que queriam conhecer a esposa de Armando” falou Otília. Ao chegar a Piracicaba, Norma estranhou um pouco os costumes. “Eu quase não saía às compras; os tecidos e sapatos eram trazidos pelas lojas até minha casa. As mulheres não usavam calças compridas nem dirigiam.”

Ainda sim, ela foi se integrando na família, nas empresas Dedini, aprendendo a falar e escrever o português e se identificando muito com o piracicabano.

Cerca de um ano depois da chegada ao Brasil, Norma dá a luz a seu primeiro e único filho, Mário Dresselt Dedini, o Malo. “Minha mãe sempre foi uma mulher admirável e corajosa. Ela tem um carisma imenso e até hoje não se dá conta disso”, contou Malo.

Norma contou que sua vida era divertida e repleta de amigos. “Eu gostava de ir aos bailes de carnaval, da Agronomia e também de participar das reuniões familiares, que eram muitas”. A vivacidade sempre foi sua marca registrada. “Ela é alegre e prestativa. Nossa convivência sempre foi ótima, fomos vizinhas durante muitos anos e criamos os filhos juntas”, contou Dulce Cardinalli Dedini, esposa de Leopoldo Dedini, sobrinho do Comendador.

Norma e Dulce, assim como as cunhadas Nida e Ada, participaram ativamente da comunidade. Organizavam festas de natal para os funcionários da Dedini com distribuição de presentes para os filhos. “A gente comprava os presentes por idade. A festa era uma beleza, marcava o final de ano de todos”, disse Dulce.

Como a Dedini nasceu na Vila Rezende, toda a família tem uma forte ligação com o bairro. O arquiteto João Chaddad, amigo pessoal de Norma e Armando, foi responsável pelo projeto da Igreja Matriz da Vila Rezende, idealizada pelo Comendador Mário Dedini. “Assim comecei a conviver com essa família maravilhosa e tive o privilégio de partilhar momentos gratificantes com Norma, que é uma mulher admirável. Ela sempre gostou muito de decoração e paisagismo e eu a ajudava em suas empreitadas domésticas”.

Norma sempre se dedicou e trabalhou por entidades assistenciais e filantrópicas da cidade, assim como em Ártemis, onde residiu por alguns anos. Por essa atuação, recebeu várias homenagens como de colaboradora benemérita da Sociedade Amigos do Museu Prudente de Moraes (1991) e de benemérita do Lar dos velhinhos de Piracicaba (1996). Fez parte do Conselho da Fundação Mário Dedini.

Em 1982, Norma naturalizou-se brasileira e adotou definitivamente o Brasil como seu país. “Minha família está aqui, eu me sinto brasileira e caipira”, declarou.

As netas Mariana, Marília e Marcela – filhas de Malo e Márcia – sempre teve especial atenção na vida de Norma. “Elas são minha felicidade, procuro estar sempre com minhas netas”. Marília destaca que a maior característica da avó é a de que sempre esteve presente na vida delas. “Ela não é uma avó nos moldes tradicionais, é uma grande amiga” disse Mariana. Já Marcela afirma que Norma é uma mulher de personalidade e coragem únicas. “Ela deve ser admirada por todos”.

A nora Márcia confirma a afeição das filhas e diz que sua relação com a sogra é especial. “Ela me trata como filha e amiga. Pela sua trajetória, eu a considero uma figura feminina marcante em Piracicaba”.

Norma Dedini faleceu no dia 21 de julho de 2012, aos 84 anos.

 

3 comentários

  1. Edison Piazza - Piracicaba em 17/07/2016 às 18:36

    Saudade dessa turma toda acima, gente boa, com quem convivi anos e anos na Dedini.

  2. Sílvia Maria Bonin Antonio em 10/08/2016 às 17:35

    Eu a conheci pessoalmente, na época em que fui secretária do saudoso Malo Dedini por maravilhosos 06 anos de minha vida profissional. Tanto a mãe Norma, como o filho Malo e toda a família Dedini foram muito especiais em minha vida. Deixo aqui meu agradecimento pela convivência e aprendizado.

  3. Wagner aparecido Barbosa de oliveira em 25/03/2017 às 01:07

    Em 1988, trabalhei como motorista na residência da Norma, sempre fui tratado por ela como um filho, forma que ela tratava à todos, fiquei triste com sua partida, e sou grato pelo privilégio de ter conhecido pessoa grandiosa em humildade e generosidade, muitas saudades!

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