Pietro Cofani

Instalado ele com uma alfaiataria à Rua Prudente de Moraes, jamais o vi sem colete e gravata, ambas escuras. O óculos de aros finos, armação amarela, ficava distante dos olhos, na ponta do nariz.

Ei-lô “tirando” as medidas dos fregueses, depois, gizando o corte sob a imposição das mesmas.

Não sei por quantos anos foi presidente da Societá Italiana. Mas garanto-lhes que até o Brasil declarar guerra ao Eixo (Alemanha-Itália), em 1942.

Houve um decreto de Getúlio Vargas, que nacionalizava as sociedades alemãs e italianas. Àquela não o cumpriu. Foi interventoriada. O advogado Marcelo Nogueira Lima doou a biblioteca da entidade e proibiu o Curso de Língua e Literatura Italianas, então, ministradas por um gênio que se chamou Rubino Lacarra, o estupendo conhecedor da Arte Etrusca.

Frequentei a alfaiataria, porque lhe levava livros de D’ Anúnzio, Papini, Malaparte, Goldoni, Battaglia, Steccheti, Rapisardi sob os olhos de seu filho e sobrinho, também, alfaiates. Certa ocasião levei-lhe a biografia de “Sacco & Vanzetti”, de Howard Fast, que ainda não era traduzida em português. Juntamente foi-lhe um livro de Malatesta, que me ofertara o “velho” Marozzi, cobrador do C.C.R. “Cristóvão Colombo”. O autor acima foi fuzilado por determinação de Mussolini. Pietro Cofani foi o introdutor do teatro em Piracicaba. Era ator e diretor. Naturalmente com peças apresentadas em italiano.

Orador vibrante, fluente, melhor em a língua de sua origem, do que a nossa. Não havia espetáculo em o “Teatro Santo Estevam”, que ele não se fizesse presente.

Ouvi e escutei maravilhosos diálogos entre ele e Rubino Lacarra – todos de estruturas críticas ao Fascismo (de Mussolini).

Avesso às recepções, por sua formação e base políticas, nunca se fez presente às recepções como cidadão comum em casa de Mário Dedini (Agente Consular) e em o casarão de Pietro Morganti, lá em Monte Alegre. Entretanto, quando presidente da “Societá” era um dos primeiros a comparecer.

Dominava vários dialetos italianos. Há meio século aproximei-me de uma prosa entre ele e o fidalgo Pietro Zalunardo Zanin, fundador da Escola Técnica de Comércio “Cristóvão Colombo”. Ambos mereceram nomes em ruas, iniciativas minhas.

Em 1941 ele fez o necrológio ao Pietro Morganti, na “gare” da “Paulista”, levado que fora para ser sepultado em SP. Fê-lo parte em português e parte em italiano.

Antes, entendo que em 1938, fizera a saudação à condessa Edna Ciano, e ao seu marido. Ela filha de Mussolini. Improvisou em os dialetos dela e do conde.

Pietro Cofani aí está e muitos de seus contemporâneos não o souberam com essas extraordinárias qualidades!

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