Prova do crime

Prova do crime

A história do Teatro Santo Estêvão – que tem sido recuperada por A PROVINCIA – é, antes de mais nada, uma saga. Construído no Império, reformado e completado pelo Barão de Rezende, cujo primeiro nome era Estêvão, razão de o teatro receber o nome do patrono. Por muitas e muitas décadas, foi o centro nervoso cultural de Piracicaba, tendo pertencido, também, à Santa Casa de Misericórdia.

No início da década de 1950, estava como que abandonado e dizia-se que irrecuperável, por força da ação destruidora de cupins. Ao mesmo tempo, porém, já se falava na grande reforma da praça principal, que levava nomes diferentes: Largo da Catedral, Largo do Teatro, José Bonifácio, 7 de Setembro. O projeto de um grande complexo urbanístico estava em andamento, que iria redundar na construção do Comurba. A derrubada do Teatro Santo Estêvão seria, pois, providencial. Tanto assim que, em 2 de julho de 1951, o entã prefeito Aldrovando Fleury – advogado das Indústrias Dedini – autorizou a doação do teatro a quem construisse, no local, um prédio de cinco andares com cinema. Ninguém apareceu. A motivação para destruir o teatro fora a queda, em Campinas, do Cine Ringue, que causara muitas mortes. Em 1953, no dia 20 de julho, o prefeito Samuel de Castro Neves autorizou a sua demolição. Teria sido necessária?

Essa pergunta ainda não tem resposta diante do crime que se cometeu, destruindo um patrimônio histórico, antecedendo outro crime monumental, que foi a derrubada também do Hotel Central. A foto, de autor desconhecido, é de 1953, uma dramática prova de um crime cultural.

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