60% das escolas de Piracicaba têm Ideb menor que a média do Estado

Seis em cada dez escolas estaduais de Piracicaba (SP) avaliadas pelo Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) em 2011 ficaram abaixo da média estadual para o fim do ciclo do ensino fundamental (9º ano ou 8ª série). De 48 escolas, 29 não alcançaram nota 4,7 (60% do total), 17 superaram a marca (35%) e duas se igualaram à média paulista (5%). O Ministério da Educação divulgou os resultados de cada estabelecimento de ensino na tarde de terça-feira (14).

O Ideb, aplicado a cada dois anos, foi criado em 2007 pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira e considera dois fatores que interferem na qualidade da educação: rendimento escolar (taxas de aprovação, reprovação e abandono) e médias de desempenho na Prova Brasil. Assim, para que o Ideb de uma escola cresça, é preciso que o aluno aprenda, não repita o ano e frequente as aulas.

Em Piracicaba, a Escola Estadual Professor José Romão teve a maior nota no ano passado (6,0), seguida de perto pela Escola Estadual Samuel de Castro Neves, com Ideb 2011 de 5,9. Na outra ponta da lista estão as escolas do Jardim Gilda (média 3,2) e do bairro Santo Antônio (média 2,9), ambas também da rede estadual de ensino.

Metas estabelecidas

O objetivo da avaliação, de acordo com o Ministério da Educação, é que o Brasil atinja 6 pontos no Ideb da primeira etapa do ensino fundamental (5º ano ou 4ª série) até 2022. A nota equivale à média dos estudantes de países desenvolvidos. As metas, conforme o governo, são diferenciadas para cada rede (particular, municipal ou estadual) e escola.

Críticas ao modelo

Especialista em educação, Selma Borghi Venco critica a forma com que o Ideb é aplicado e como a compilação dos resultados estrutura as políticas públicas no setor. “O principal problema é que a avaliação é padronizada e desrespeita a realidade socioeconômica em que os estudantes, as escolas e as comunidades estão inseridos”, relatou.

Selma, que leciona no curso de pós-gradução em Educação da Universidade Metodista de Piracicaba (Unimep), defende que as informações do Ideb sirvam como um parâmetro e não como norma indicativa. “A valorização do professor, melhores condições de ensino e mais investimentos públicos são os fatores que melhoram a educação, e não somente uma série de provas”, afirmou.

Situação nacional

No ano passado, 5.357 municípios brasileiros tiveram o Ideb calculado. Sem contar os cinco municípios que participam pela primeira vez do índice e, portanto, ainda não têm meta definida, 2.009 tiveram resultado abaixo das expectativas, ou seja, 39,2% do total. Outros 319 tiveram Ideb igual à meta e os demais superaram o nível em que deveriam estar para atingir o objetivo em 2021.

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