CECAN vai reconvocar participantes de Campanha para novos exames

Sábado sem Câncer - dia do exameO resultado do programa Sábado Sem Câncer, promovido pelo Centro do Câncer da Santa Casa de Piracicaba (CECAN) no último dia 22 de agosto para ofertar 500 exames para detecção da hepatite e do câncer de fígado, surpreendeu os organizadores. A campanha, que tinha como expectativa detectar 1% de portadores da doença, encerrou as estatísticas registrando 34 casos de pessoas que tiveram contato prévio com os vírus das hepatites B e C, o equivalente a 7% do total de participantes.

“O número de pessoas com sorologia positiva para a hepatite é sete vezes maior que o esperado, pois, quem nos procurou foram pessoas que, em sua maioria, por alguma razão, se encaixavam no grupo de baixo, médio ou alto risco para a doença”, disse o médico oncologista Fernando Medina, coordenador do programa. Ele explica que, ao direcionar o foco para a hepatite e para o câncer de fígado, a campanha amplia a participação de pessoas integrantes dos grupos de risco. “Atingimos o público alvo”, considera.

Segundo Medina, nos próximos dias, essas 34 pessoas serão contatadas por telefone e orientadas a passar por novos exames. “Isso porque, mesmo com sorologia positiva, a pessoa pode não ser portadora do vírus da hepatite”, explica o médico infectologista Hamilton Bonilha, responsável pelos exames que serão realizados para confirmar a presença ou não do vírus e pelos tratamentos necessários, realizados gratuitamente através do IVIP- Instituto de Imunização e Vacinação de Piracicaba. Os 466 pacientes restantes, que não apresentaram risco para as doenças, receberão o resultado pelos Correios.

Dos 34 pacientes diagnosticados com hepatite, 26 são do sexo masculino e 8, do sexo feminino. “Essa relação já era esperada, uma vez que, para cada três homens infectados, há uma mulher”, disse Medina. Ele relata ainda que, deste total, 26 casos são de hepatite C e 8, de hepatite B. “O tipo B é de difícil tratamento, porém o único que tem vacina. Por isso, é importante que as pessoas procurem por uma unidade de saúde perto de sua casa e se imunizem”, disse. Já o tipo C da doença é curável e o tratamento, menos complicado.

Dos 34 soropositivos, 47% já tinham diagnóstico anterior da doença e 53% sequer imaginavam terem tido contato com o vírus da hepatite. “A maioria, porém, tinha consciência de que integrava o grupo de alto risco (44%)”, salientou Medina. Ele revela que, deste total, apenas 30% tinham sido vacinados contra a hepatite,apenas 26% fazem uso regular de preservativo, 24% já foram diagnosticados com DST (Doença Sexualmente Transmissível), 24% já haviam feito transfusão de sangue e 18% são usuários de drogas.

Na análise do oncologista Fernando Medina e do infectologista Hamilton Bonilha, a campanha foi “fantástica”, sobretudo por ampliar a consciência de que hepatite e câncer de fígado são doenças que podem, e devem, ser banidas do planeta. “Sabe-se que a hepatite C é o principal fator de risco para o câncer de fígado; ou seja, eliminando a hepatite, que já dispõe de vacina preventiva e moderno tratamento para os casos comprovados, a incidência do câncer de fígado será infinitamente menor”, avaliam.

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