Marlene Chiarinelli, do Clube da Lady, recebe Medalha de Mérito Legislativo

Foto: Davi Negri

Foto: Davi Negri

Em maio de 1957, era criado em Piracicaba o Clube da Lady, movimento de origem nos Estados Unidos e liderado no Brasil por damas da sociedade, que se reuniam com seus trajes elegantes para chás da tarde ou bailes. A iniciativa saiu da capital paulista e despontou timidamente em cidades como Jundiaí, Rio Claro, Sorocaba, Campinas e São Bento do Sul. Apesar de inicialmente elitista, a agremiação feminina teve sua função reformulada com o passar dos anos e adquiriu caráter filantrópico. Em quase seis décadas de atividades, a presidência mantém-se há 54 anos com Marlene Elias Chiarinelli.

Piracicabana de 84 anos, Marlene teve sua trajetória enaltecida pela Câmara de Vereadores de Piracicaba na noite de terça-feira, 13, com a reunião solene para a entrega da Medalha de Mérito Legislativo, a partir da aprovação do decreto legislativo 31/2016.  Ela esteve na Casa de Leis acompanhada de três dos cinco filhos, Maria Sílvia, Roggero e Renato, além do irmão Cecílio Elias Netto, jornalista e escritor. “Ela nasceu para cuidar. Seu coração é imenso. Ela sabe ser justa caridosamente. Sabe ser caridosa, fazendo justiça”, disse Cecílio.

Professora de piano, formada pelo Conservatório Carlos Gomes, em Campinas, Marlene se recorda da ampliação dos encontros do Clube da Lady, levados para o Teatro São José, espaço conhecido em toda a região como um dos melhores e também mais amplos da época. “As reuniões eram mais simples. A primeira presidente, Otília Furlan, promovia bailes muito bonitos, todos eles com auxílio do colunista social Marco Aurélio, pseudônimo utilizado pelo professor Mauro Vianna, à época colunista do Jornal de Piracicaba”, disse.

Mudar o foco de atuação do Clube da Lady, conforme ressaltou, foi um trabalho lento e dificultoso. O primeiro obstáculo estava no próprio nome da entidade, muitas vezes mal interpretado pelos piracicabanos. “As mulheres se perguntavam: ´Como é que eu posso frequentar um clube de lady?` Elas demoraram a entender que estávamos abrindo as portas para todas as classes sociais. Mas, devagarinho, perceberam a intenção: ajudar a comunidade. Todas se sentiram importantes nesta tarefa.”

Atualmente, por meio da sua dedicação e das 500 associadas, o Clube da Lady beneficia 22 entidades no município. Mais que destinar os recursos, há o acompanhamento do desenvolvimento das atuações de cada uma delas. Outra atribuição é o Restaurante Fome Um, de assistência às pessoas em situação de rua. Além do almoço, o local oferece banho e roupas novas. “Vivemos dias difíceis, enfrentando preconceito e desinformação, mas soubemos resistir”, declarou.

As tardes beneficentes promovidas pelo Clube da Lady, ainda hoje no Teatro São José, contam com chás, sorteios e buffet, e acontecem todos os meses, sempre às quartas-feiras, às 14h, concentrando colaboradores de Piracicaba, São Paulo, Rio Claro, Rio das Pedras, Saltinho, Campinas e de outras cidades vizinhas. A participação é aberta aos homens e mulheres.

Para Marlene, o Clube da Lady tem a transparência como um de seus primeiros princípios, o que para ela é um dos motivos que colaborou com a sobrevivência da entidade. A transparência, de acordo com ela, consiste principalmente na prestação de contas elaborada anualmente pela diretoria. “Damos importância às pessoas que nos ajudam, para que elas saibam o resultado do trabalho e percebam que fazemos tudo com responsabilidade”, destacou.

A credibilidade da associação, informou Marlene, se deve à seriedade das beneméritas. “A nossa renda maciça está na atuação das beneméritas. Todas se sentem úteis nesse processo e estão firmes em seu propósito.” Outro fator imprescindível, ressaltou a presidente, é que a associação nunca esteve vinculada a partido político, organização religiosa ou setor empresarial. “Para ficarmos completamente à vontade em nosso trabalho, estamos desvinculadas de qualquer subvenção governamental ou de entidades. Temos consciência que é mais difícil de sobreviver assim. Ao mesmo tempo, é melhor, pois mantemos a autonomia do trabalho.”

 

 

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