Santa Casa promove IV Encontro de Receptores e Doadores de Órgãos

Divulgação Encontro de DoadoresEmpenhada em sensibilizar e refletir sobre a importância da doação de órgãos, a Santa Casa de Piracicaba promove na próxima sexta feira, dia 25, às 8 horas o IV Encontro de Doadores e Receptores de Órgãos, e tem em seus registros 1.184 doações efetivadas nos últimos anos.
Inserido no contexto da Semana Nacional de Doação de Órgãos, o evento terá como ponto alto depoimentos que trarão a público um pouco da experiência vivenciada por familiares de quem já doou e de quem já recebeu órgãos em doação. São exemplos o vereador de Capivari, Flávio de Castro Carvalho, que perdeu a filha Isadora aos 16 anos, vítima de acidente de trânsito; e o atleta transplantado, Dinael Wolf, membro da Delegação Brasileira dos Atletas Transplantados.
A enfermeira Jacqueline Defavari Bonilha de Morais, membro da Comissão Intrahospitalar de Doação de Órgãos, Tecidos e Transplantes (CIHDOTT), explica que a proposta é agradecer aos familiares pelas doações registradas na Santa Casa, gesto que, segundo ela, ajuda outras pessoas a sobreviver e a melhorar sua qualidade de vida. Ao mesmo tempo em que estimula a doação como gesto de solidariedade. Amor ao próximo comoexemplo a ser seguido pela sociedade.
Ela lembra que, de cada 10 brasileiros abordados, quatro se recusam a doar os órgãos de seus familiares e atribui a negativa à falta de manifestação da vontade de doação em vida e ao baixo nível de informação sobre o assunto.

 

“Quando manifestado em vida o desejo de ser doador, os familiares na hora da abordagem para uma possível doação de órgãos, respeitam a vontade manifestada  pelo doador”, disseram a equipe ao apontar a necessidade de fazer com que o tema ‘doação de órgãos’ faça parte do cotidiano das pessoas.  “Apostamos na adesão da sociedade e no apoio de profissionais de saúde e da mídia, para tornar a espera por um órgão menos longa e dolorosa”.

 

Jacqueline lembra que, para se tornar um doador, é importante que a pessoa comunique esta decisão à família, pois de acordo com a legislação dos transplantes no Brasil, a doação deverá ser consentida pelo familiar de até 2º grau. “Essa conversa é fundamental para subsidiar a decisão da família na hora de doar os órgãos”, disse, indicando o site oficial da ABTO (http://www.abto.org.br) para mais informações sobre como se tornar um doador.

 

32 mil esperam na fila por um órgão

 

Na análise dos médicos Moisés de Oliveira Lara e Wilson Balassini, membros da CIHDOTT, embora a realidade tenha melhorado bastante, a situação de quem necessita de transplante de órgãos no Brasil ainda é muito delicada, uma vez que mais de 32 mil pessoas aguardam na fila de espera em todo país.

 

Dados da ABTO mostram que a maior lista de espera é por um rim, com cerca de 19.249 pessoas aguardando pela doação do órgão. Em segundo lugar, estão os que precisam de transplante de córnea, com 10.346 pessoas. Na terceira posição está o fígado, com 1.448 pessoas na lista de espera, e, por último, coração, pulmão e pâncreas, com 235, 201 e 20 pessoas, respectivamente.

Na Santa Casa de Piracicaba existe uma comissão Intrahospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante (CIHDOTT) que tem a missão de realizar a busca ativa de doadores de órgãos,  realizar diagnóstico e a notificação de morte encefálica assim como a abordagem da família para doação. “A Comissão reúne profissionais preparados para esclarecer dúvidas quanto ao aspecto da doação e o resultado tem sido positivo”, disseram os médicos.

 

Eles explicam que, para que ocorra a doação de múltiplos órgãos é preciso que haja a confirmação de morte encefálica do paciente, momento em que não há mais atividade cerebral, mas os órgãos continuam em funcionamento com a ajuda de aparelhos. “A constatação de morte encefálica segue a rígidos protocolos do Sistema Nacional de Transplante, com a execução de exames clínicos específicos, além do exame apropriado para a complementação diagnóstica, com a participação de dois médicos para  confirmação inequívoca da morte encefálica”, complementam.

Dados da Comissão revela que essas ações permitiram à Santa Casa registrar 48 doações de múltiplos órgãos e 1.086 doações de córneas nos últimos 12 anos. “Cada doador de múltiplos órgãos ajuda até dez pessoas, enquanto um doador de córneas possibilita que duas pessoas voltem a enxergar”, disseram os médicos.

 

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