A felicidade reside nas coisas simples

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IMAGES~4É verdade. Para mim, juro por Deus, a felicidade reside nas coisas simples da vida. Café, pão e manteiga, bolo de fubá, banana prata amassada com aveia… Um cheiro bom de chuva, de terra molhada, o vento das manhãs para secar o cabelo ao sol!… Uma toalha felpuda, perfumada. Um bom livro. Ficar deitadinha, com um cobertor, vendo tevê num dia frio. A vitória do meu tricolor, seja lá onde for…

Enfim, uma casa limpinha, cheirosa, a gente quietinha, rezando o terço. Saúde no corpo e na alma! Ah, Deus Pai!… A vida é tão bonita. Sentimos alegria no coração, quando há paz, harmonia e saúde à nossa volta.

No entanto, nem sempre é assim. Lutamos com problemas, dissabores, e o imponderável da vida. Amamos, sofremos, choramos. Minha mãe sempre dizia: “ninguém vive num mar de rosas”, e eu adorava essa frase repetida a cada nova dificuldade que tínhamos pela frente.

Contudo, na sabedoria simples e maravilhosa de minha mãe, ela também sabia consolar e orientar, alertando que olhássemos para trás, para baixo, pois sempre haveria quem estivesse passando por lutas bem maiores que as nossas.

Este reconhecimento saudável faz de nós pessoas bem resolvidas, capazes de lidar com os problemas de forma que eles nos façam crescer para sermos melhores, mais solidários, mais participativos da vida em comunidade, ajudando-nos uns aos outros.

Às vezes, a felicidade está nas tarefas triviais do dia-a-dia. Comecei uma faxina de lascar na casa! Organizei tudo de novo. Até bijuterias velhas e feias joguei fora. E doei o que já não usava mais.

Vem uma sensação apaziguadora dentro do coração, depois de tudo isso feito. A casa fica maior, porque o móvel desocupou lugar. O armário “respira” melhor, porque as roupas ficam mais arrumadas dentro dele. Enfim, uma coisa puxa a outra e vamos vendo que é bom repartir, partilhar e dar um destino adequado àquilo que já foi muito útil para nós.

Sempre sabemos de alguém passando dificuldades, e que aceita roupa, sapato, bolsa, cobertores e até móveis. Quando me mudei da chácara para a cidade, dei tapetes, louças, as cadeiras de piscina, mesa de churrasqueira, vasos com plantas, tanta coisa!

Vim embora para a casa nova com o mínimo necessário. Sou fã do “menos é mais” e quero ter pouca coisa. Fujo feito o diabo da cruz dessas geringonças que fazem o vinagrete num piscar de olhos e vêm com 10 lâminas diferentes.

Outro dia, notei duas meias de lã (que eu adoro) com alguns furos. Já costurei. Não uso com o furo, entende? Costuro, pelo menos. Prezo minhas coisas e uso tudo com tanto cuidado, que duram uma eternidade. Opto por estilos clássicos, que sobrevivem a cada novo modismo e assim vou tocando o barco.

Creio que este é o segredo. Saber que a felicidade reside nas coisas simples da vida. Viver com o necessário. Se tenho dois e está bom assim, por que comprar mais um? E calar aquele apelo consumista sem sentido, que não leva a nada. Vez ou outra, claro, fazer aquele passeio socrático por aí e ver que há muita coisa no mundo da qual, absolutamente, não temos a menor necessidade…

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