A MAIS NOBRE VOCAÇÃO

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setasSe, mesmo bem intencionado, o Executivo comete injustiças imaginem quando administrado por políticos centralizadores e amarrados aos interesses corporativos. Todos devem, porém, quem tem obrigação de fiscalizar e controlar a voragem do Executivo, especialmente quando não muito afinado às demandas populares é o Legislativo. Ele tem representatividade, meios, poder, autoridade legal; e para isso é bem pago. Pouca coisa faz um prefeito sem aval da Câmara. Portanto, é ela o principal poder numa cidade, e vereador o cargo mais importante. Um Executivo medíocre poderá apresentar resultados até satisfatórios quando vereadores seguem seus passos. Somos uma nação injusta e violenta porque interesses predatórios ditam os procederes, e não pode ser diferente se não deparam com autoridades comprometidas com o bem da população, com o meio ambiente e com a sustentabilidade. Afinal o que conta é o futuro da cidade ou a cidade do futuro? E “O futuro exige hoje reabilitar a política, uma das formas mais altas de caridade” (papa Francisco). Caridade aqui nada tem a ver com filantropia ou beneficência, que além de favorecer somente quem dá, não reverte processos de exclusão. CARIDADE é a busca efetiva do bem do outro. Quem é movido pela verdadeira caridade quer ver todo mundo contente; com saúde, educação, emprego, lazer, comida boa, casa confortável. Quem sente arder em seu coração a verdadeira caridade perde o sono com a indigência; se recusa ter mais que os outros. Por isso não se atém a cuidar simplesmente dos pobres, mas a atacar causas, já que toda pessoa é portadora de uma dignidade que a Deus se assemelha.  Quem tem caridade tem fome e sede de Justiça. As igrejas podem rezar quanto quiserem; as organizações receber quanto for de dinheiro e fazerem os mais abrangentes projetos; as entidades filantrópicas podem abrigar quantos sofridos forem, no entanto jamais terão o poder de inclusão que tem o Estado. Ele é capaz de enfrentar a injustiça social – mãe da desigualdade que gera violência. Em dez anos o Brasil – embora sem qualidade – resgatou mais cidadãos das classes D e E que todas as benemerências juntas. E quem cuida das coisas do Estado é o político. Ser político é uma das mais nobres vocações, e uma grande graça. Poucos cidadãos têm tal chance, mesmo porque o processo eleitoral no Brasil foi pensado para iludir o eleitor, além de demandar muito dinheiro, o que implica submissão ao poder econômico e suas nefastas consequências. O ‘filhos da luz’ fogem da política com medo de se ‘sujarem’. Na verdade são omissos; não acreditam que é possível escapar desse viciado esquema quando se tem confiança em Deus, compromisso e uma boa dose de inteligência. A qualidade de vida dos piracicabanos deteriorou nos últimos dez anos. Somos hoje uma cidade endinheirada, porém injusta, doente e violenta. Poderia a Câmara ter impedido esse processo, mas mesmo sob protesto de alguns de seus pares – aos quais tripudiou – tudo referendou visando sustentação política pessoal e de um projeto político-partidário personalista. Ignorou, por exemplo, o Plano Diretor do município e aprovou, sem discussão e sem ouvir pequenos produtores, diversas alterações no perímetro urbano para favorecer projetos imobiliários, onerando assim os serviços públicos e encarecendo a vida dos pobres. Quando, senhores vereadores, Deus lhes pedir contas da missão que lhes deu e mostrar-lhes o bem que deveriam ter feito e o mal que suas decisões e omissões causaram, vocês mesmos esmurrarão a cabeça e pedirão o inferno, onde o fogo do remorso os devorará por terem desperdiçado a chance de brilharem como seres humanos. Mas não se preocupem, lá estarão na ‘boa’ companhia dos que vocês preferiram servir n o lugar de Deus e do povo, pelo qual seu Filho deu a própria vida.   totodanelon@ig.com.br

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