Ambientalistas

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downloadImprensa ligada ao poder econômico, políticos e donos do dinheiro insistem em forçar a associação do termo “ambientalista” com fanatismo, chatice, aversão ao progresso; tudo muito sutilmente num contexto depreciativo e sarcástico. Além da opinião pública como aliada, pretendem desacreditar as pessoas comprometidas com a questão ambiental. No entanto, não fosse a coragem dessa gente – e muitos pagaram com a vida sua ousadia – não existiriam hoje paraísos ecológicos, matas ciliares, áreas de preservação, leis ambientais e mecanismos de controle. Certamente muito mais rios e fontes teriam desaparecido e as catástrofes ambientais seriam mais severas.

Quantos embates, mobilizações, noites em claro. Quantas estratégias planejadas e lutas travadas velada e abertamente; ameaças, perseguições e chantagens seguidas de zombarias. Quanta apreensão – afinal quase sempre destruidores da natureza são pessoas de dinheiro, inescrupulosas e corruptoras de autoridades e gestores sem caráter. Quanta vontade de entregar os pontos e deixar que tratores do ‘progresso’ pilotados por cavaleiros do Apocalipse tudo devastem, já que parece irreversível um processo de destruição que em pouco mais de 50 anos devastou o planeta.

Na arquibancada da vida uma amorfa e obesa população – que acha que o arroz é fabricado no supermercado, o frango nasce já limpo dentro do saquinho, a água sai da torneira e curte ver a tristeza dos animais nos zoológicos; que gosta mais de concreto que de verde e queima árvores em churrascos – parece não perceber que o dever de todos não pode pesar somente sobre alguns por serem mais sensíveis, mais justos, mais inteligentes, mais solidários, menos consumistas e mais preocupados com o bem comum. Quer dizer que se eles não lutarem pela água, morreremos de sede; se não lutarem pelo ar morreremos envenenados; se não lutarem pela qualidade dos alimentos ficaremos doentes? Um planeta sustentável depende de todos.

Segundo o físico Sir Jogadis Bose “as plantas têm corações e emoções”. Nesse sentido, os pássaros que habitam nossa cidade, os animais, os peixes, os insetos são também cidadãos e merecem a proteção e cuidado para se desenvolverem sadiamente. Ninguém nos deu o direito de destruir suas tocas e ninhos e nem acabar com os meios de sua subsistência; a vida não é um privilégio nosso. Nossa prepotência só nos tem trazido sofrimentos. As doenças, o consumo incontrolável de drogas lícitas e ilícitas, a solidão, o medo, o individualismo, a violência e a injustiça são provas disso.

Vai para vocês “ambientalistas” – dentre os quais peço permissão para estar – minha homenagem. Mesmo poucos e frágeis vocês são mais necessários que os políticos. Fazem mais pela vida que a medicina e a ciência; valem mais que as empresas e todo o capital, porque se um dia tudo se acabar, mas restar água, terra, plantas e animais sobreviveremos, como sobrevivem muitos povos das florestas. Vocês são mais úteis que as religiões porque desde o princípio o Senhor nos criou jardineiros, e seu Filho quando nos visitou, entrou na capital montando num jumento, falou de sementes, de colheita, de flores, de aves, de peixes, de chuva, de sal, de ovelhas; comparou a si mesmo com a água, com o fogo, com a luz, com o tronco no qual todos teremos de estar ligados se quisermos produzir frutos. E mais ainda, se fez pão e vinho para termos vida em abundante fraternidade.

“A terra produz o suficiente para satisfazer as necessidades de todos; porém não a cobiça de todos” (Mahatma Gandhi). Quando secarem os rios e a última gota d’água potável pingar de nossa torneira, todo mundo vai virar ‘ambientalista’. Não será então mais necessário porque será tarde demais.

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