Auto Retrato

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Sou feito de beira de rio,
D’uma mãe de apego brejeiro.
Da casa do avô levo o cheiro
Onde nasci horas a fio.

 

Me criei na simplicidade.
Na paz d’um tempo delicado,
Levo comigo meu passado
Qual esculpido minha cidade.

Minha crença é mãe natureza
Que dentro d’um aquariano
Se reluta, em dom sobre-humano,
Um jardim de rara beleza.

Cheiro de camélia e roseira
Quando aves raiam meu dia;
Tais, surgem do céu com magia
E regem meu peito de beira.

Com os frutos d’um arvoredo
Compus um arbítrio solitário.
Mas sempre com destinatário
O qual rompe meu desenredo.

A mudança me vem madura
Vem na minh’alma remexer
Mas, quando dou a perceber,
Me corto pela própria cura.

Quando cai a lua poente
É quando minha voz se declara.
Se me abala por trás da cara,
Meu humor se faz pela frente.

Se fui por inteiro assim feito,
Torto que no papel se corre,
A dor de saudade me morre
E uma flor renasce em meu peito.

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