Causas e consequências

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foto_rua do portoLi na imprensa que Orçamento Municipal de Piracicaba de 2015 deve chegar a R$ 1,3 bilhão. Grande parte vai para Saúde; certamente para reformas, construções, equipamentos, manutenção, remédios, exames, procedimentos, vagas nos hospitais, transporte, pessoal, etc. Muito bem. Contudo, os recursos nunca dão. Estudo do Banco Mundial diz que o SUS sofre mais com ineficiência do que com falta de verba, e que principal problema é a desorganização. (Folha 09.12.13). Enquanto não houver pactuação e comprometimento o dinheiro nunca vai dar. Porém, pior que isso é que muitos governantes em vez da ‘SAÚDE’ gostam da doença porque vira mais dinheiro e rende mais votos.

Administrador público responsável – bem antes de fazer hospitais – procura saber por que tantas pessoas ficam doentes, e ataca causas com políticas públicas eficientes na área ambiental como água boa, esgoto tratado, ar limpo, reciclagem, fauna e flora protegidas. Incentiva agricultura familiar, investe no desenvolvimento de habilidades, na sustentação de pequenas empresas, no turismo, no transporte público, na educação – que não é só prédio; torna acessível a habitação, promove entretenimento e lazer para todos, parques para as crianças e incentiva a participação popular. Façam isso, governantes e sejam transparentes, em vez de se preocuparem com reeleição e beneficiar apaniguados. Tenho certeza que nosso povo esbanjará felicidade, e vai sobrar dinheiro porque doença não se aninha em mentes contentes.

Li, também, que a Rua do Porto recebe todo ano 1,1 milhão de turistas. O local ficou tomado na última Sexta-Feira Santa e Dia das Mães, quando houve congestionamento de carros na Avenida Beira Rio. Pelo menos 70% dos consumidores eram de fora da cidade. As vendas destes dias garantem a estabilidade financeira dos restaurantes no inverno quando cai o fluxo de pessoas, dizem os donos.

Administrador público inteligente sabe que a vocação de Piracicaba é o turismo. Temos belezas naturais singulares e serviços de boa qualidade. Aquele espaço é único na região e deveria ter virado um grande parque integrando também a enigmática e exuberante Pedreira do Bongue, que – como sugerido por geólogos – poderia ter sido transformada num geoparque ou geossitio, visto ser um lugar interessante para turismo e estudos geológicos dado à singularidade de sua formação e seu valor paleontológico.

Porém, os que em tudo vêem dinheiro,  sem consultar ninguém decidiram violar o lugar duplicando a avenida que passava por dentro de um fantástico túnel de árvores, que para essa gente não passa de lenha. Isso para beneficiar condomínios chiques e ‘ligar a Região Oeste à Leste e Sul’ favorecendo o fluxo de automóveis e empreendimentos imobiliários. O lugar, que antes atraia grande número de piracicabanos nas tardes de domingo, ficou perigoso, deserto e melancólico. E pra acabar de vez com o sonho, o IPT – Instituto de Pesquisas Tecnológicas classificou – entre outras – a Pedreira como área de risco. “É muito alta a chance de acontecer desprendimento das rochas, mesmo sem chuva. Como existem moradias no alto das pedras e passam muitos veículos na avenida, o grau de risco é maior. Podem acontecer muitas mortes em um eventual deslizamento”. Marcelo Fischer Gramani, coordenador do projeto e pesquisador do Laboratório de Riscos Ambientais. (JP 19.03.14).

“Não parece, mas o turismo dá muito emprego, não só grandes empresas. O pequeno negócio é o que mais emprega no país…” (Gabriel Ferrato, prefeito. JP 12.04.14). Saber eles sabem, mas foram buscar industria do outro lado do mundo.  Será porque segundo Paulo Feldmann, professor da Faculdade de Economia USP “Pequenos empresários não têm a mínima possibilidade de apoiar campanhas eleitorais…?”. (Folha 20.01.12).

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