Coisas de Pira – dois

Os textos de diferentes autores publicados nesta seção não traduzem, necessariamente, a opinião do site. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo.

Vi “Malditas Barragens”, documentário que integrou a programação da quarta edição da Mostra ECOFALANTE de Cinema Ambiental do SESC. Impressionado fiquei com o impacto negativo na vida das comunidades ribeirinhas dos EUA e com o estrago ambiental que diques provocam, mais ainda em relação ao peixe salmão em extinção porque as barragens impedem a desova. Triste também de ver o que fazem com peixes de cativeiro. O bom do filme foi mostrar que entre os americanos cresce a ideia de destruir essas geringonças. Algumas já foram removidas e os peixes retomaram a vida original. Um grave alerta aos inconsequentes empreendedores e políticos predadores que infestam nossa região, que querem porque querem fazer a barragem de Santa Maria – alguns de olho em empreendimentos imobiliário de luxo ao redor da represa. Além de matar a vida do rio o lugar vai virar uma imensa pocilga.  Esses caras entendem nada do assunto. O mesmo erro se comete em nível nacional num país onde o sol cozinha até ovo e o vento sopra o ano inteiro. O negócio deles é dinheiro, como foi nos Estados Unidos quando diques foram erguidos. Pena que a platéia do cinema não passava de uma dúzia de pessoas. Sem querer generalizar, piracicabano está nem aí com a natureza. Preocupa-se com o rio quando está morto. Não porque morreu, mas porque fede e seu esqueleto causa má impressão.

Li na imprensa que o Lar dos Velhinhos passa por dificuldades econômicas. A população e várias organizações estão se mobilizando. Claro que não falha a solidariedade do piracicabano. Antes, porém, precisamos discutir por que os abrigos estão cheios. Como se não bastasse, existem “265 idosos na fila por uma vaga em asilos. O Lar dos Velhinhos tem 500 idosos. O La Betel 100”. (JP 15.04.15). Então lugar de gente idosa não é mais com a família – justamente no momento de maior fragilidade e solidão? Foi para acabar desse jeito que a ciência está fazendo estender a vida das pessoas? Que sociedade é essa que estamos construindo? Quando chegar nossa vez farão a mesma coisa. Por outro lado, entidades que trabalham com essa faixa da população deveriam procurar alternativas mais sustentáveis.  Sistema de creche, por exemplo. Muitas famílias só querem deixar seu idoso em lugar seguro enquanto trabalham. Um lugar para se entreterem e fugirem da solidão. Penso que seria mais saudável, humano, muito mais barato e os vínculos seriam mantidos. Falando nisso, Piracicaba só tem uma creche para idosos. Ouvi dizer que os que lá frequentam até remoçaram o espírito. Além de mais equipamentos semelhantes, a Prefeitura poderia usar centros comunitários e fazer parcerias com igreja e organizações interessadas, a fim de oferecer atividades que tirem por algumas horas do dia idosos que ficam enfurnados em casa.

Li, também, que a partir deste mês, os pais de alunos da rede estadual de ensino serão acionados quando os filhos atingirem 10% de faltas ao mês. Muito bem. É isso mesmo que deve ser feito.  Porém, é preciso saber por que crianças faltam da escola. Claro que os pais devem saber e dar conta disso. No entanto, o problema pode estar na escola. É baixo o número de crianças que declaram gostar de ir às aulas, mesmo entre as que raramente faltam. Acho que pouquíssimas crianças deixariam de frequentar um lugar agradável, onde se sintam acolhidas, participantes e protagonistas. A Escola que temos – salvo exceções, que existem graças a mentalidades antenadas – grosso modo falando, é direcionada mais para enquadrar o cidadão desde criança a fim de formar mão de obra servil que seres pensantes.

Deixe um comentário