Coluna Contraponto: Palavras não voltam vazias

Os textos de diferentes autores publicados nesta seção não traduzem, necessariamente, a opinião do site. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate e de refletir as diversas tendências do pensamento contemporâneo.

Admirador de longa data do caráter, da coragem, da capacidade intelectual e do jornalista e homem Cecílio Elias Neto, peço a ele permissão para discordar com a essência (a razão de ser) do seu último artigo – publicado nesta heroica Tribuna (palavras dele com as quais concordo plenamente) no último dia 29 de março – , traduzida em seu título e fechamento: “Palavras ao vento”. Antes, impõe-se dizer que considero o artigo uma obra prima do jornalismo refletida em palavras de isenção, de experiência, de visão e consciência política em completa extinção na mídia; depois, observar que deveria ser objeto de estudo nas Faculdades de Jornalismo pela lucidez, franqueza e sinceridade com que trata dos vários Brasis até este triste e atual comandado por escória política (escória é adjetivo meu) e protagonizado pela insensatez, desrespeito e retrocesso das massas nas ruas do País a gritar ingenuamente pelo fim da corrupção. Cecílio escreve com a autoridade de quem vivenciou a história, foi testemunha ocular; muito diferentemente de historiadores e profissionais da mídia que leram em algum lugar, ou por faltarem com o  compromisso com a verdade e a honestidade, mal informados e sem zelo pela isenção.  É um daqueles artigos que se recorta e se guarda.

Entretanto – aí vem a minha discordância – é impossível tantas ricas e sinceras palavras nutridas de tão potente compromisso com essa verdade e com essa honestidade perderem-se ao vento. E afirmo, sem medo de errar: elas jamais retornarão vazias. Tal qual a parábola do semeador. (Há sementes que caem na beira das estradas e vêm as aves e as comem; as que caem em lugares pedregosos,brotam, mas sem raízes profundas logo murcham e morrem; há as que caem nos espinheiros e são sufocadas pelos espinhos; mas há também as que caem em solo bom, germinam , crescem e frutificam).

Palavras e palavras

Diferentemente das confortadoras palavras de Cecílio, a sociedade brasileira (na verdade trata-se de fenômeno planetário) não medem as suas palavras na xingação, na sequência prolongada ou troca agressiva de termos infamantes contra pessoas (hoje muito comum e injustas contra Dilma Rousseff e Lula). Palavras de ordem do ódio, da discriminação e da intolerância que também não retornarão vazias, e um dia afetarão os corpos físicos de quem as profere, como consequência de uma mente corroída por tais forças negativas, cânceres da alma.

Outras palavras

Enquanto isso no Reino da Imbecilidade, a manipulação por atos e palavras continua a correr solta. A grande mídia, por palavras, insuflam, instigam e incutem o que lhe convém na inocente opinião pública nacional. Se há as palavras que curam e confortam, há as que envenenam e conduzem pessoas como gado no pasto. Outras palavras.

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LISTÃO DA CORRUPÇÃO E OPERAÇÃO ABAFA A JATO

Há dois pensamentos traduzidos em dois ditos populares  atualíssimos nos dias de hoje em nosso País: “Quando o barco começa a fazer água, os ratos são os primeiros a saltarem fora”. E outro: “Aos amigos, as benesses da Lei; aos inimigos, a dureza da Lei”.

Não dá para não se pensar: sai Dilma, entra quem, mesmo? Alguém lá do Listão em sigilo imposto por Sérgio Moro? Sai a Lava Jato e entra a Abafa a Jato? Com a palavra a grande mídia e seus aliados: nas ruas e nas instituições.

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Nota de hoje: Não estaria na cara que o “Fora Dilma” seria somente um pretexto para se deflagrar a operação Abafa a Jato? Afinal, a casa caiu para muitos da oposição. Ou não?

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Frase de hoje: Os oportunistas e traidores tem algo em comum: roem por baixo e apunhalam pelas costas.

 

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