Comida saudável

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A nutricionista dizia no rádio que alimentos e medicamentos são dois tipos de indústrias que mais têm crescido no Brasil. Parece que uma complementa a outra.

Basta ver, por exemplo, no Mercado Municipal, os boxes mais concorridos são os que vendem petiscos. Espaços outrora agradáveis do Shopping Piracicaba foram devorados pela gastronomia, que avança sem parar. Aquilo está virando uma grande comedoria. Quem vende comida pronta não dá conta. Congelados viraram moda. Supermercados trabalham de segunda a segunda. Filas para comprar e para pagar. Carrinhos cheios de dispensáveis. Por quanto tempo esse sistema predatório de gente e recursos se sustentará e a natureza aguentará absorver a montanha de lixo e o rio de fezes que produzimos não sei; tenho medo até de pensar.

Por outro lado, vemos farmácias, como nos supermercados, cheias de gente procurando remédios para males do corpo e do espírito. As unidades de saúde públicas e privadas estão lotadas; hospitais não dão conta da demanda; se perde no tempo as filas para exames, procedimentos, etc. Das crianças aos adultos a população está cada vez mais obesa, hipertensa e diabética.  É longa a fila de espera por cirurgia bariátrica. A cada semana aparece um regime novo e academias bombam. Alguém já dizia que o ser humano passa parte da vida ajuntando vícios e parte tentando deles se livrar.

Interessante que mandam a população ter alimentação saudável. Como, se o frango que comemos cresce confinado; come ração química dia e noite; toma remédio para não adoecer e em 45 dias, tomado pela banha e carne flácida, está pronto para a degola? Com o porco fazem a mesma coisa. Peixes são criados em cativeiro. O salmão vendido na maioria dos supermercados tem coloração vermelha porque pigmentam a ração. Ovo ‘tipo caipira’ também. Legumes graúdos e frutas de boa aparência podem indicar excesso de adubo químico e agrotóxico. Folhas tomam banho de defensivos. Os enlatados e embutidos têm conservantes, acidulantes, corantes e outros ‘antes’ cujos efeitos na saúde ninguém sabe. Bolachas vêm carregadas de gorduras trans. Produtos transgênicos invadem as prateleiras e até leite envenenado foi encontrado. Se, como dizem nutricionistas, somos o que comemos, talvez sejam essas as explicações para muitas doenças. Vivemos mais: “População na faixa dos 60 anos ganha dois anos de vida, mas passa mais tempo doente”. JP 04.06.13.

Quando era criança existiam armazéns onde minha mãe mandava buscar óleo, sal, sardinha, arroz, feijão, café e às vezes carne. Ovo tinha em casa, frango ela mesma estirava o pescoço, lingüiça ela fazia, macarrão também; verdura, legume, batata, mandioca, mamão, laranja, manga, abacate, banana tinham no quintal. Fotos e filmes antigos mostram pessoas magras em sua maioria. Hoje concretam quintais. Dizem que os tempos mudaram. Digo que os interesses da indústria mudou a dinâmica da vida, e para pior. “A mãe e o pai vão trabalhar, os filhos são deixados com as babás, e creches, isso é um crime que está sendo feito, os filhos estão perdendo a noção de família. Nossos filhos eram educados debaixo da saia da mãe”. (Raul Hellu. Tribuna 18.05.13).

Parece que depois de a mulher ter saído de casa tudo desmoronou. Comer virou necessidade fisiológica. Crianças e adultos ficam obesos para se impor na guerra pela sobrevivência ou se ‘proteger’ da solidão.  “Acabou a relação familiar de sentar à mesa para dialogar. A comida é uma relação de diálogo. A mulher se culpa por não estar em casa e qual a forma mais fácil de agradar o filho? Dar comida. Sentimentos foram trocados por produtos”. (Silvia Bonini Regiani, antropóloga. Emagreceu 97 kg com reeducação alimentar e exercícios. Folha 02.11.08).

Gente que se ama, família reunida mesmo comendo arroz e feijão, além de mais elegantes e se sentem felizes.

 

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