ContraPonto: O governo Temer-PSDB

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Numa noite anterior à votação da lei que congela gastos com a saúde e a educação por vinte anos, o banquete oferecido por Michel Temer no Palácio Jaburu (sua moradia oficial, com 4.283 m²) a duzentos deputados – mais convidados e familiares destes prestativos senhores -,  expõe claramente o retrocesso a que o Brasil vê-se submetido neste momento pós-golpe. Dinheiro público jorrando à vontade, que poderia ir para a construção de creches, postos de saúde, para citar algumas finalidades outras bem a gosto daqueles do discurso  Fora Dilma. No entanto, lá estava a nefasta gastança com sabe-se lá, no total, quantas pessoas usurpadoras. (Esposas e filhos de deputados chegavam aos montes em carros oficiais e em carrões luxuosos). E para quê? Para convencimento (ou negociações?) de deputados para a aprovação da famigerada medida, ao que se pode facilmente interpretar.

Muito descaramento. Temer deveria restituir aos cofres públicos a enxurrada de dinheiro gasto nesse banquete com dinheiro dos impostos de todos os brasileiros. E cadê a grande imprensa e os falsos movimentos de rua que defendiam a moralidade?

O projeto de congelamento dos gastos com a educação e a saúde, a privatização do nosso Pré-Sal amplamente defendida pelo Ministro temerário das Relações Exteriores José Serra,  as alterações nas regras da aposentadoria dentre outras que hão de vir, parecem obras do grande irmão e  aliado de Temer: o PSDB. Afinal, a agenda tucana derrotada nas eleições de 2014 é imposta a Temer  que – a fórceps e a gastanças para atrair deputados para a causa-,  a impõe à sociedade que tudo assiste incrédula, porém passivamente. As medidas chegam e são impostas a toque-de-caixa, pois vá que caia a ficha da sociedade e esta os apeie de lá. Então, é preciso acelerar.

Pagando o pato – Quem votaria num candidato à Presidência da República com esse programa de governo? E sem discussão com a sociedade? Então, estamos vivendo um novo golpe. Só que, diferentemente daquele aplicado contra a democracia e a Dilma Roussef (que nunca defendeu essas ideias), quem pagará o pato serão os ingênuos e os movidos a ódio, principalmente – além de toda a sociedade. (Por falar em pato, cadê o Pato da Fiesp e dos “espontâneos” movimentos de rua como o Movimento Brasil Livre-MBL?).

Por outro lado, cabem duas interpretações na relação Temer-PSDB: uma delas deixa transparecer que o presidente “come na mão” dos tucanos; ou implementa  a agenda de Aécio Neves e José Serra ou será apeado do poder por meio de ação de anulação da chapa Dilma-Temer que se acredita estar mais que pronta no Tribunal Superior Eleitoral sob a presidência de Gilmar Mendes (sempre a favor das causas tucanas, como amplamente noticiado e  especulado), à espera de um sinal da tucanada pendurada no poder de forma vergonhosa. Basta Temer não atender às exigências tucanas e tudo para ele se desmorona. E “Tchau, querido!”. O PSDB e a mídia amiga parecem saber como fazer isso.

A outra interpretação é idêntica a anterior, com uma “sutil” diferença: o PSDB impõe seu programa de governo, como claramente parece fazê-lo, espera pela sua implementação e pelo desgaste de Temer com as medidas, e depois o queima perante a opinião pública: a culpá-lo por todos os males advindos de tais atos. Afinal, o PSDB parece não desejar ter Temer como concorrente à Presidência da República em 2018; logo, será preciso desmoralizá-lo. E nisso parece que os tucanos são muito eficientes: culpar alguém para queimá-lo; com ou sem motivo. Vide Dilma que era ”culpada” pelos políticos do PSDB por todo o mal da humanidade: desde o lixeiro que não passara na rua, pelas guerras no mundo e pelos furacões planeta afora.

Piadas à parte, não tardará chegar a vez de Temer ser culpado por tudo. Parece clara a estratégia tucana de usá-lo e desgastá-lo. Só que a vaidade está a cegar Temer que não consegue enxergar a “casinha armada”. “Aguardemmm!”, diria Sílvio Santos.

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Onde vai o nosso dinheiro

Temer vai inundar as TVs com propaganda de convencimento da sociedade sobre a necessidade de cortar gastos públicos na saúde e educação. Vai tentar vender vidro flexível. Ao que se pode interpretar, por trás dessa cortina de fumaça corre o verdadeiro propósito: a venda do petróleo brasileiro; da Petrobrás; das jazidas minerais de nosso subsolo e outros patrimônios públicos; riquezas nacionais todas, a serem entregues a megagrupos nacionais, internacionais e transnacionais, e a especuladores financeiros idem, sob pretextos que não colam na opinião pública mais esclarecida.

Temer, entretanto, parece apostar na  propaganda massiva e repetitiva para acabar convencendo os desatentos e anestesiados. É só ficar de olho nas TVs, rádios, jornais e revistas de sempre, a vender ilusões e mentiras ao povo brasileiro. Pior, é que acaba colando nas redes sociais das fofocas, estas muito bem organizadas pelas centrais de boatos que parecem existir com o único propósito de confundir e de espalhar versões de interesse de quem as patrocina e mantém. “Se não temos como gastar em obras para o crescimento do País, então precisamos vender  patrimônios públicos para financiar a retomada do crescimento”. Esse é o discurso de Temer, muito bem amparado pelo PSDB, ao que se pode interpretar.

Construído ao longo das décadas e décadas por nossos antepassados e por nós mesmos, o patrimônio público (Petrobrás, centrais elétricas, companhias de água e esgoto, dentre tantos outros), tudo  construído a duras penas e às custas de  muito sacrifício, agora será entregue sem o menor pudor, sem o menor senso de respeito com a Nação; e sabemos lá com que outros ocultos interesses.

Repetição é a alma da Propaganda – A maciça propaganda  será repetida por tantas vezes até que se torne algo crível. E a que custo? Ora, toda propaganda do governo vinculada nos meios de comunicação tem custo e é alto; e estes, principalmente TVS, cobram preços de mercado.  Só que, como  Temer diz não ter dinheiro para gastar (Ah, mas para banquetes tem!) com publicidade de seu governo, por extensão , os valores são descontados do que TVs, emissoras de rádio e imprensa em geral devem ou têm a recolher para os cofres públicos em forma de impostos. Dinheiro de impostos é dinheiro  público. E ele sairá do nosso bolso. (Uma forma de remunerar quem conspirou junto?). O indivíduo anestesiado pela propaganda e saciado com as derrotas de petistas nas urnas entram num gozo profundo e dizem amém. E a mídia apoiadora do governo do golpe agradece com enorme satisfação.

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Frase de hoje: “Diga-me com quem andas que te direi quem és”.

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