Do lado de cá

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Defensoria. Numa demonstração clara de que o governo tucano está nem aí com os pobres do Estado, editorial da Folha de São Paulo do dia 22.12.13 diz que é desoladora a situação da Defensoria Pública no Brasil. É particularmente grave no Estado de São Paulo, o mais rico do país e responsável pelo maior número de processos na Justiça. Há apenas 1,43 defensores para cada 100 mil habitantes. Fortalecer a Defensoria Pública é tarefa urgente e imprescindível para o Brasil romper a barreira que separa ricos e pobres também no acesso à Justiça. Esse também é um dos motivos de tanta gente presa indevidamente. “Quem é preso e morto são os pobres, os negros, os favelados. O que existe é uma guerra contra pobreza. (Julia Lemgruber, ex-diretora do sistema penitenciário do Rio. Folha 11.01.14). Quase todas as prisões inauguradas desde 2010 pelo governo tucano já estão superlotadas. Estado possui quase dois detentos por vaga; excesso de prisões estão entre as explicações dadas. “É impressionante o número de pessoas que ficam presas por mais tempo do que deveriam apenas porque são pobres e não podem contratar um advogado. (Alexandra Lechelson Szafir). Criminalidade em alta se resolve com justiça social e não com presídios.

 

Futebol. Explicando a violência nos estádios, Marcos Alvito, antropólogo professor da Universidade Federal Fluminense afirma: “o torcedor é tratado como animal pelo sistema de transporte precário, pela estrutura dos estádios e pelo policial, que age com os nervos à flor da pela. (…) Aí chegam aqueles torcedores para os quais futebol é o segundo esporte, o primeiro é a violência. (…) Quem manda na tabela é a novela, e, quanto mais tarde o jogo, menos ônibus para o torcedor voltar para casa, mais bêbados na rua, maior o potencial de confronto”. (Folha de São Paulo 16.12.13) Globo e você, tudo a ver. Principalmente o trouxa, fanático por futebol. Ganha mirlão por mês e um supérfluo Neymar R$ 29 milhões por ano. É o “projeto CARACU”. A TV, os cartolas e os jogadores entram com a cara e o torcedor entra com o resto.

 

Escola. Aprendo muito conversando com crianças. Da última vez, uma menina e um menino, ambos com sete anos, falavam das coisas que acontecem em casa e na escola. Disseram que um professor chamou um coleguinha de burro por ter ido mal na prova, mas isso não era certo porque burro come capim e escola não é pasto. A menina dizia que os adultos precisam ouvir mais as crianças, pois quando estão erradas merecem repreensão, mas nem sempre estão. A conversa foi longe e eu de queixo caído. Fui pra casa pensando se a Escola que temos está preparada para acolher a criança de hoje. Pelo peso parece que a criança carrega a escola na mochila. “O que vemos é uma escola que todo dia faz tudo sempre igual, que ignora a participação verdadeira dos alunos, que desestimula a formação da equipe profissional. Nossas escolas estão muito mais interessadas na competitividade, no planejamento do professor, mesmo que seja burocrático, na massificação, tanto dos docentes quanto dos alunos”. Rosely Sayão. JP 21.05.13.

Drogas. Mais um Fórum em Piracicaba. Agora sobre drogas. Não basta o Conselho? Mais uma organização para dar visibilidade a políticos e jogar conversa fora? Sempre as mesmas pessoas discutindo o que fazer com viciados pobres que ‘ameaçam’ a segurança de cidadãos de bem. Os ricos podem continuar se chapando em festinhas de embalo. São 12 mil os viciados só em crack na cidade. Parodiando o Evangelho: ‘Estive com fome. Vocês organizaram congressos e mais congressos para discutir a fome, e eu continuei faminto. Era viciado. Vocês criaram conselho e fóruns para discutir a droga, e eu continuei na sarjeta’. Afinal, nesta cidade existe política pública para adolescente?

 

2 comentários

  1. toni em 02/03/2014 às 00:08

    Duvido que sejam 12.000 dependentes na cidade, duvido. Além disso, tudo é culpa dos ricos e do governo tucano e de alguém. Os briguentos, os dependentes, suas famílias não têm responsabilidade nenhuma nas encrencas ? Nasci muito pobre, jamais passei por isto!

  2. Antonio Carlos Danelon em 09/03/2014 às 10:34

    Toni, agradeço por se dispor a ler meu texto, comentar e mais ainda por discordar. Discordância gera conhecimento. Quanto aos 12 mil: “Piracicaba tem 12 mil usuários de crack, segundo o governo. Trata-se de uma epidemia e a maioria dos dependentes está sem tratamento. Na região englobando as 26 cidades a estimativa é de 45 mil, sendo que apenas 530 foram internados no Bezerra de Menezes no último ano. Jornal de Piracicaba 31.08.13. Capa. Ninguém contestou a notícia, portanto tomo como verdadeira. “Prefeitura encara crack como epidemia. Campanha busca integrar estudantes e professores da rede pública, além de entidades, universidades, igrejas e ONGs na luta contra o avanço da droga. “Maioria dos internos da Fundação CASA tem relação com o tráfico”. JP 26.10.11. Polícia registra 2 casos de tráfico/dia. Crescimento de 35% nas ocorrências envolvendo drogas, com 134 prisões em 2 meses. “Embora represente uma sensação de segurança [essas prisões], vemos que cada dia aumenta o comércio e o uso de drogas. E uma das causas é consequência de desigualdades sociais na cidade, entre elas, o crescimento das regiões periféricas”. Tenente-coronel Otacílio José de Souza, comandante do 10º BPM / I JP 26.03.13.
    Pobreza é uma coisa, miséria é outra. Fomos pobres, não miseráveis. Meu pai criou 8 trabalhando como barbeiro. O Brasil era mais pobre mas menos injusto. Não me diga que os miseráveis são culpados pela própria miséria num país onde um coletor de lixo não ganha mais que 900 reais enquanto um Parlamentar é o 2º mais caro do mundo. Cada parlamentar do país custa para os cofres públicos US$ 7,4 milhões por ano, menor só que o dos EUA. Folha 17.02.13. Salário 26,7 mil. Auxílio moradia 3 mil. Verba de Gabinete 78 mil (até 25 assessores). Cota Mandato 24, 2 mil. 14º e 15º salários 26,7 mil cada.
    “A violência está mais ligada à diferença de renda que de pobreza. Não é a pobreza absoluta, mas as grandes diferenças de renda que força para cima os índices de homicídio no Brasil, conclui estudo do mapa da violência. Quanto maior a diferença de renda, maior a taxa de homicídio. Não há nada melhor para combater a concentração de renda do que democratizar o acesso à educação”. (A Tribuna 02.04.10).
    A classe média gasta de 35 a 39% de sua renda com impostos, enquanto os milionários pagam, no máximo 15%. Nick Hanauer – sócio de Jeff Bezos na loja virtual Amazon. Folha 25.11.13. B 10. Levantamento do IPEA, publicado em maio, mostra que a população mais pobre no Brasil paga mais impostos em proporção de sua renda do que a população mais rica. O estudo mostra que os 10% dos brasileiros mais pobres gastam 32% de suas rendas com impostos. Entre os 10% mais ricos, a carga tributária é de 21%. Folha 11.09.11.
    Portanto, caro Toni, a realidade está aí. Nem eu e nem você somos a medida das coisas. Só como exemplo, os políticos de nossa cidade e de nosso Estado falam em desenvolvimento econômico como solução para tudo. Favoreceram o capital: empreiteiros, usineiros, grandes empresas e grandes projetos. Pois bem, agora nem água temos. Pouco ligaram para o meio ambiente. Para mim isso se chama picaretagem, irresponsabilidade e interesses eleitoreiros. Essa gente deveria estar na cadeia. Sem falar no desenvolvimento humano: habitação, lazer, trabalho, segurança, escolas, etc. Portanto, estamos colhendo o que plantamos.
    Pra encerrar veja isso: Os pequenos negócios voltaram a sustentar os bons índices de emprego no Brasil. Em janeiro, eles registraram saldo de 47,6 mil vagas, de acordo com pesquisa feita pelo SEBRAE Nacional. Já as médias e grandes empresas fecharam 19,6 vagas. O presidente do SEBRAE diz acreditar que as pequenas e microempresas criam mais vagas porque, “devido suas estruturas flexíveis, respondem melhor e mais rapidamente às sinalizações do mercado consumidor interno”. Mônica Bergamo Folha 28.02.14.

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