Lutemos por uma terra de Vanessas. Fora “sininhos”!

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E o cinegrafista Santiago Andrade foi morto. Mais um homem de bem que tomba.

Não bastasse a violência que assistimos tomar nosso país de há muito tempo, há em nosso solo, como precisamente disse hoje (no velório do cinegrafista acima) Fernando Mitre, diretor de jornalismo da Bandeirantes, uma “irracionalidade e desordem absurdas”. E como se este quadro pudesse ficar ainda pior, uma desordem social durante tempo demais vista como natural.

Que aberrante inversão de valores graça em uma pátria onde artistas, conhecidos veículos da mídia, organizações de ditos direitos humanos (só dos assassinos, claro) e governos populistas flertam com a violência, o desrespeito as instituições democráticas, com o desgoverno e o crime? Enfim, como o caos?

Que aberrante inversão de valores graça em uma pátria onde em equipara-se a violência de vândalos escondidos por trás de máscaras a possíveis exageros perpetrados por policiais no exercício de sua ingrata função?

Os homens que mataram Santiago não fazem parte dos milhões de brasileiros revoltados com o todo o status quo e que, em outubro do ano passado, foram as ruas protestar.

Estes de agora (black blocs) que desde junho deste ano tomaram para si as manifestações descaracterizando-as e reduzindo-as a atos de pura selvageria e violência e que fizeram Santiago tombar e Vanessa Andrade (sua filha) chorar são cri-mi-no-sos. Criminosos do mesmo tipo que promovem latrocínios e crimes hediondos.

-”Mas necessitamos de uma polícia mais bem preparada!”, clamariam alguns. Claro. Há espaço para correções e aprimoramento do exercício desta função por alguns policiais, como há no exercício de tantas outras profissões neste país, diga-se de passagem. Desnecessário discutir. Mas… não percamos o foco. Não percamos a perspectiva a respeito de quem é quem neste campo de batalha no qual, verdade seja dita, pouquíssimos de nós estaríamos dispostos a pisar. Ser policial, hoje no Brasil, é uma atitude kamikaze. E não bastasse este fato já por si absoluto, ainda a loucura de ter de trabalharem (melhor dizer, arriscarem a vida) sob a chuva ácida da crítica vigarista.

Oxalá tivessem as famílias e amigos de polícias feridos ou mortos a mesma atenção que gozam a família de muitos criminosos. Mas, isto seria assunto para outro dia. Voltemos aos black blocs.

Há de serem reconhecidos, encontrados e encarcerado estes criminosos. Criminosos ardis que, a despeito de toda sua arrogância e total desprezo pelas instituições, ainda cinicamente advogam “falarem” em nome de um povo humilde, honesto e trabalhador o qual absolutamente não representam.

Aliás, este povo humilde e trabalhador, aquele que pega de dois a três conduções para chegar ao serviço, deu uma aula a respeito de como ainda se colocam os “pingos nos is” e de como ainda se nomeiam as coisas pelo nomes os quais elas têm. Cariocas usuários de um ônibus de linha no solo fluminense, revoltados com o cinismo e descaramento destes que flertam com a selvageria e o caos literalmente proibiram o acesso da “ativista” Eliza de Quadros Pinto Sanzi, vulgo “Sininho”, de adentrar a condução chamando-a de hipócrita, comparsa de assassinos!

Em tempo, Sininho é amiga de Fábio Raposo(“tatuador” conhecido como “raposa”) e Caio Silva de Souza, ambos presos acusados pela morte do cinegrafista Santiago. Ela, tipo de perfil que desrespeita os pilares da democracia, promove baderna e quebra-quebra e que chama policiais de “macaco”, mas que estranhamente deles se socorre quando a população enojada e cansada de marginais como ela, resolve soltando o grito abafado, apontar-lhe o dedo-la e trata-la pelo que ela é.

Está mais do que na hora de sairmos de nosso perigoso ostracismo e, fazermos como os lúcidos cariocas acima. Esta mais do que na hora de dizermos bem alto a todos as “raposas”, “sininhos” e todos demais que flertam com o caos e a baderna: Não, neste ônibus vocês NAO pisam! FORA, aqui definitivamente não é o seu lugar! Que o peso da LEI recai sobre vocês e os trate e coloque-os onde devem estar.

Que vozes se unam para que a força das palavras de honestos ecoem nos ouvidos dos facínoras de plantão: “Aqui abominamos ratos que se escondem por trás de mascaras. Aqui honramos Homens de bem, milhões de brasileiros e brasileiras que, silenciosa e diariamente, no exercício humilde de suas profissões cedo se levantam e lutam pelo sustento e educação de seus filhos. Aqui honramos os fardados que muitas vezes tombam na guerra contra as mãos espúrias e explosivas dos Fábios e Caios da vida.

Fora “raposas”, fora “sininhos”!

Fora comediantes medíocres que esbofeteiam faces de policias!

O Brasil de bem esta farto de vocês.

E que entrem e acomodem-se as “Vanessas Andrades”. Ser humano que, mesmo diante da dor e do vilipêndio incomparável de se ter um pai assassinado por covardes, ainda tem força e caráter suficientes a escrever uma carta pública de despedida aquele quem a criou na qual transbordam valores e dignidade.

Gigantes como você são como um sopro de esperança nesta terra de ventos não mais apenas uivantes, mas dilacerantes.

6 comentários

  1. Felipe Alves em 13/08/2012 às 07:41

    ALERTA: A Rua Dr. Alvim na Altura da Rua Santos Dumont, Vila Independencia necessita de lombadas, pois e frequente carros e motos descerem em alta velocidade pondo em risco a vida dos pedestres.

    obrigado.

  2. Ton Martins em 14/02/2014 às 09:09

    Parabéns, Thais.

  3. toni em 14/02/2014 às 17:36

    Excelente texto. Sugiro, um pouco mais: fora, também, baderneiros “desconhecidos”, beneficiários diretos do desgaste dos governadores do Rio e de São Paulo.

  4. Veronica em 17/02/2014 às 10:03

    Quando vi a reportagem desta moça saindo da delegacia com um sorrisinho nos lábios e posando para fotos como se estivesse no tapete vermelho do Oscar, me deu vontade… O País não precisa desse tipo de gente.

    Parabens pelo texto Thais.

  5. Andrea em 21/02/2014 às 00:08

    Gostaria de parabenizá-la pelo excelente texto Thaís! Precisamos de brasileiros como você, que se mostrem indignados e lutem por um País mais civilizado! Chega de aceitar passivamente tantos absurdos, acorda Brasil!!!!!

  6. Luis em 21/02/2014 às 15:11

    Parabéns pelo excelente artigo! Chega de “irracionalidade e desordem absursas”, neste nosso país. Um país que tem na sua Bandeira – Ordem e Progresso – conviver passivamente com tantos absurdos surreais no cotidiano, na mídia e nos escalões do poder. Fico me perguntando: somos seres humanos ou primatas?

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