Mulheres de Mitra

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igreja_anglicanaA Igreja Anglicana deu mais um passo, rumo a uma ação- reflexão crítica de atualização do cristianismo no mundo. O Sínodo geral da Igreja da Inglaterra aprovou nesta segunda-feira a ordenação de mulheres como bispos, uma medida histórica. A proposta foi aprovada em uma votação realizada em York, no norte da Inglaterra, pelos membros das três câmaras que compõem o órgão executivo da Igreja Anglicana – leigos, clérigos e bispos. As primeiras nomeações de mulheres como bispas podem ser efetuadas já em 2015.

Uma esmagadora maioria do órgão dirigente da Igreja votou a favor do passo. O arcebispo de Canterbury, o Reverendíssimo Justin Welby, apostou sua autoridade em ganhar apoio às propostas. Trinta e sete bispos votaram a favor, com dois contra e uma abstenção, e 162        do clero foram a favor, 25 contra e quatro abstenções. Nos cruciais votos leigos houve 152 votos a favor, 45 contra e cinco abstenções.

 A Igreja da Inglaterra é a Igreja mãe da comunidade anglicana, que conta com 80 milhões de fieis em 165 países do mundo.  No entanto, a aprovação desta reforma pelo sínodo inglês não obrigará as outras igrejas anglicanas a ordenar mulheres bispos, embora envie uma mensagem forte. O resultado derrubou séculos de tradição em uma Igreja que tem sido profundamente dividida sobre a questão. Ela vem mais de 20 anos depois que as mulheres foram autorizadas primeiro a se tornar padres. Mais de um em cada cinco dos padres da igreja são agora do sexo feminino.

Na Inglaterra, as mulheres podem, desde 1992, ser padres; no Brasil, desde a década de 80. A comunidade anglicana busca com esta proposta acabar com sua imagem de Igreja retrógrada, em comparação com a atitude mais progressista de outras Igrejas anglicanas, como em Gales, Estados Unidos, Austrália, Canadá e Suazilândia, que já autorizam a ordenação de mulheres como bispos.

Ele quebra uma tradição ininterrupta de bispos, até então exclusivamente masculina, herdada dos primeiros cristãos há quase 2.000 anos. Alguns anglicanos vêem como uma “mudança cósmica” – argumentando que a teologia da Igreja foi alterada por sua aceitação de que homens e mulheres são igualmente elegíveis para liderar e ensinar o cristianismo. A legislação deixa tradicionalistas que dependem em grande parte da boa vontade e generosidade de mulheres futuros bispos, uma fonte de ansiedade para muitos, mas anunciado por alguns como um sinal de uma nova cultura de confiança e de cooperação na Igreja Anglicana.

Todavia, pedimos a Deus que a sensibilidade feminina, possa ter maiores frutos no episcopado em favor do povo, produzindo bispas solícitas,  que se importem realmente com seu rebanho, com caridade pastoral. Já temos experiências de longa data de bispados masculinos cheios de autoritarismo, intransigência e absolutismo. Sejam bem-vindas mulheres com suas mitras, báculos e anéis, mas com corações amorosos de mães. God bless women bishops….

 

*Reverendo Juliano Bernardino de Godoy, graduado em História, Teologia e Filosofia, pós-graduado em História Cultural e Sociologia. (Professor e Reitor na Igreja Anglicana de S. Jorge em Rio Claro)e-mail: juliano. [email protected]

1 comentário

  1. Carlos em 16/07/2014 às 22:49

    Parabéns a Igreja Anglicana. Servir a Deus e aos irmãos independe de sexo.

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