Mundo Novo se aproxima

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Dizem que o mundo está perdido e as coisas só vão piorar. Não é o mundo que está perdido; é uma era que agoniza. Novo mundo vai nascer. O que era importante para essa época que finda não será mais para a próxima. Riqueza, poder, status, valerão nada. Jovens de hoje apontam que isso não os atrai. Preferem empreender; são mais sóbrios, assertivos, focados, cosmopolitas e a realização pessoal vale mais que altos salários.

Vi reportagem na Folha SP (26.02.17) que jovens estão se preparando para adentrar o mundo da política pela porta da frente. O descrédito que toma conta da política tem servido de estímulo para eles. No lugar de carreira e status estão vendo no setor público oportunidade para servir e ajudar o país. “O que o Estado faz de bom ou de ruim vai impactar na vida das pessoas” diz Fernanda Quiroga, 22 anos, estudante de Direito. Pedro Berto, 25 deixou o curso de ciências contábeis para fazer Administração Pública. “Percebi que a vida era muito mais que mercado financeiro e que existiam mais coisas do que eu entendia como felicidade e bem estar. Tive outro objetivo, que só fazia sentido se tivesse na área pública. Minha meta é ser prefeito do Rio”. Tábata, 23, quer ser presidente do Brasil. Leonardo 18 quer ser vereador em São Paulo. Um deles pleiteia a prefeitura de Curitiba; outro quer ser ministro e outro, deputado.

Já aqui em Pira, a manifestação do dia 28 de abril passado, a “Greve Geral” tinha tudo para fazer feio. Organizadores do evento, sindicalistas profissionais a maioria – desses cuja pança cresce mais que o cérebro – em vez de passeata alegre e participativa, planejaram uma marcha fúnebre. Não falavam, gritavam. Não perceberam ainda que ninguém mais lhes dá credito, já que transformaram em feudos os sindicatos. Temem lideranças novas com medo de perder o trono. Criticam patrões, mas alguns se tornaram piores que eles, e outros a eles e a políticos se aliam em troca de vantagens.

Voltando à passeata, havia policiais por todos os cantos. Todos aramados. Um acinte achei. Menor aparato faria melhor efeito. A manifestação foi pacífica e ordeira. Contudo, quem deu o tom foram os jovens do “Levante”. Enquanto os ‘donos’ do evento se esgoelavam do alto do carro, eles, no chão davam o ritmo. Fizeram até profecia: “Ai, empurre o Temer que ele cai”. Aos poucos ganharam a massa e os microfones. A manifestação atingiu seu máximo a fez ouvir seu grito contra as reformas que Temer e sua gangue estão a fazer na marra.  Ficou a lição de que ou essa velharada que ocupa cargos de liderança dá espaço para os jovens ou vai ser comida pelos cupins.

De grande impacto foi movimento “Reaja Piracicaba” composto por jovens em sua maioria. Fez a Câmara de Vereadores rever seus conceitos. Conseguiu mais de 30 mil assinaturas contra o aumento de 66% nos subsídios dos vereadores em 2011. Notável, também foi o movimento Pula-Catraca, que pleiteava e conseguiu diminuir a tarifa de ônibus. Nas ocupações das escolas em 2015 a fim de barrar a falsa reforma de Alckmin, os jovens deram um show de cidadania e até derrubaram o secretário da Educação.

Li na imprensa que cultura do carro nos EUA vive marcha à ré. Total de jovens que não dirigem no país dobrou em 30 anos; ciclovias e transporte público crescem. Dados recentes mostram que 20% da população entre 20 e 24 anos de idade não têm carteira de habilitação. No total o número dos sem carro dobrou nos últimos 30 anos.

Lamentável o atentado em Manchester. A Europa junto com os EUA ficou rica explorando e oprimindo países pobres. Não se justifica, mas bebem do próprio veneno. Quanto mal não fez a Inglaterra? Se pelo menos tivesse compensado sua maldade acolhendo os jovens dos países que exploraram e lhes oferecido um futuro digno, jamais o Estado Islâmico os aliciaria. Se em vez de rechaçados e maltratados como são, os jovens fossem ouvidos, Piracicaba, o Brasil e o mundo seriam outros.

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