Nelson Rodrigues explica…

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  Muito chocada! Há poucas noites vi um casal discutindo do outro lado da rua. O cara bem vestido, branco, de classe média, enchia a cara da moça de bolachas (só faço este adendo do nível social, porque a classe média, com sua leve camada de verniz, geralmente não protagoniza tais cenas em público. Igualmente, também acredito que a mulher de classe média possa ter mais chances de se proteger dos companheiros agressores. Engano-me?).

   Ela gritava. Corri e alcancei uns guardas municipais que estavam numa base bem próxima. Um deles, o mais velho, fez pouco caso do assunto, mas outros dois ficaram alertas. Neste momento a moça escapou correndo do companheiro, lá do outro lado da rua.

     Os policiais abordaram o homem, interceptaram-no, e estavam recriminando e esculhambando a conduta dele (creio que seria o caso de prisão em flagrante).

    Nisso a moça, em trajes de caminhada, bem vestida também, volta correndo desesperada:

   – Parem, parem!”. Isso, em socorro ao agressor.


Resumo da história: agradeci aos policiais, que estavam convencidos que nem deveriam ter se metido na confusão. O policial idoso falava, “eu não disse?”. Tive certa vergonha do sexo feminino, confesso.

    Voltei pra casa com meu cachorrinho, que não entendeu nada, e os dois, vítima e agressor, seguiram juntos. Trinta metros adiante o cara novamente enchia a cara da mulher de tapas…

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