O sentido da vida

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bom-diaDesejo que você, leitor, encontre o sentido da vida. E me conte onde o achou. Que me mande um e-mail relatando como foi sensacional tê-lo, finalmente, descoberto. Como ele é, o sentido. Se ele é alto ou baixo, gordo ou magro, sisudo ou simpático. Se aparenta ser acolhedor, com respostas na ponta da língua e se está disposto a nos suportar.

Desejo que o leitor me ensine a escrever o que deseja ler aqui, nesta terça-feira cheia de esperanças. Sim, meu coração transborda de amor, de generosidade e bondade quando escrevo. Sou tomada por uma beatitude e pareço alcançar um estado de graça que, imagino, transpareça nas palavras.

As palavras. São elas as responsáveis por tudo. São as culpadas de todas as coisas, as orais, as pensadas e as impressas. São elas as donas de toda história.

O que seria de nós sem as palavras? O que seria da vida sem o seu alfabeto digno? Sim, a vida nasceu de um caldo nutritivo e subiu para a terra. Evolução das espécies, sobrevivência dos mais fortes, biologicamente. Oh, há quem afirme que a vida nasceu das palavras. Ou dos números.

Este é o sentido da vida: o que falamos, o que escrevemos, o que projetamos em diagramas e símbolos, iconografia de um tempo novo. Sem um traço com significado, não existe vida.

Se nada digo, nada acontece. O mutismo gera um desconforto antiverbal terrível; um silêncio de possibilidades; e a falta de comunicação seria trágica. Por isso, falamos, escrevemos, redigimos, digitamos, mandamos e-mails, elaboramos frases para as redes sociais, publicamos, jogando para o ar esta fonte inesgotável de inspiração.

Para que a vida tenha sentido, para que haja um “fiat” em cada vocábulo, é preciso o cultivo das sentenças, das frases que integram as idéias, mesmo as mais atrevidas, as exorbitantes e as mais obscuras, as de segundas intenções.

Desejo que o leitor encontre sua palavra. Se me perguntarem qual é a mais bela do dicionário, diria que é “liberdade”. Perguntei a um amigo, ele disse “justiça”; a uma amiga querida, “amor”; a um irmão de armas, “fortaleza”.

Olha a força da palavra. Ela tem o poder e construir universos, pontes, catedrais e pequenas casas para morar. Ela faz transbordar os rios, as lutas e as almas. Em tudo, vemos a palavra. Mesmo no silêncio absoluto, lá está ela…

O sentido da vida está na palavra, senhores. Todos já o encontramos. É pela palavra que digo bom dia, obrigada, por gentileza, com licença, por favor. É pela palavra que digo “eu gosto de você”, o profundo “eu te amo”, ou “eu espero o seu abraço”. Se você não pode vir me abraçar, e talvez me curar, ficarei à espera de uma palavra chamada “abraço”. Talvez baste apenas a concretude substantiva deste vocábulo que pulsa em toda parte.

O sentido da vida está nas palavras. No bem que dizemos e que reverbera pelas montanhas. Ó, as bênçãos que proclamamos, as graças que desejamos, a fé que distribuímos!

Nada disso teria sentido ou seria possível sem as letras do amor, sem o acento tônico da inteligência, sem a magia romântica da beleza, sem o brilho da crença na vida.

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