Ponto e Contraponto

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Por falta de opção – já que em Piracicaba jornalismo de verdade deixa a desejar – na manhã da votação no Senado Federal que aprovou a abertura do processo de impedimento de Dilma, ouvia o Jornal da Manhã na Jovem Pan. Encerrada a votação, os apresentadores do programa festejaram muito; riram e debocharam da presidente. Achei aquilo muito leviano. Que o governo eleito responda pelos seus atos tudo bem, mas fazer chacota em cadeia nacional num momento triste como o que estamos passando é falta de bom senso. Com exceção de um ou outro, jornalistas da Pan parecem torcida organizada. Até onde sei um profissional de verdade apresenta fatos e suas diversas vertentes. Se forem analisados, os vários lados devem ser ouvidos. Mas não é o que acontece – não só na Pan. Via de regra, jornalistas de araque falam o que a massa gosta de ouvir, afinal precisam faturar.  Se não me engano, a Pan tinha uma vinheta de extremo mau gosto que dizia mais ou menos assim: “O, seu merda, ouça a Jovem Pan.” Já entendi. Quem ouve a Jovem Pan se não for merda vai virar.

Falando em jornal, o britânico The Guardian disse que quem deveria estar em julgamento seria o sistema político brasileiro e não uma mulher. Concordo. Cerca de dois anos atrás ajudamos a coletar oito milhões de assinaturas de brasileiros e brasileiras pedindo reforma política. Sugestões genuínas e arrojadas foram apresentadas como a de Plebiscito Popular para a formação de uma Constituinte Exclusiva e Soberana a fim de buscar mudanças no sistema político brasileiro, tomado que está pela corrupção e interesses – proposta essa apoiada pela presidente afastada. O Congresso Nacional nem deu bola; não lhe interessa mudar regras que o beneficiam. Afinal, muitos congressistas foram eleitos para fazer nada além de defender latifundiários, fabricantes de aramas, agronegociantes, banqueiros, empresários. Perderam dois anos de mandato cavando motivos para derrubar Dilma e acharam; os mesmos que usam para se perpetuar no poder: a promiscuidade com o setor empresarial, que banca campanhas, mas quer o troco. O governo pode apresentar os argumentos que quiser. Eles não querem ouvir, nem discutir e nem saber da verdade. Querem somente acabar com o governo petista, não pelos erros que cometeu porque foram os mesmos deles, mas porque ousou estender direitos aos mais pobres. Amassem de fato o Brasil, teriam deixado de lado interesses e ambições e unido forças para corrigir erros e buscar soluções.

Contudo, empresários, fazendeiros, banqueiros, usineiros, congresso, judiciário, etc. se uniram para derrubar conquistas que os pobres conseguiram nesses últimos anos a fim de retomar o Brasil injusto e excludente de sempre. Tempos de trevas se aproximam. Montaram uma equipe de governo que voltou a priorizar interesses dos ricos.  Até da mulher se esqueceram, se bem que para essa gente mulher existe para ser mostrada e exibida. Isso faz estufar seu ego obtuso.

Falando em mulher na política, Antonio F. Basto, advogado do doleiro Alberto Yussef disse: “(…) não vejo resquício de corrupção nessa mulher [Dilma]. Ela mantém uma dignidade pessoal e não vendeu a honra.” (Folha 22.03.15). E segundo o escritor Fernando Moraes: “Dilma sairá maior dessa guerra, mais uma entre tantas que enfrentou, sem jamais ter se ajoelhado diante de seus algozes. (Folha 06.12.15).

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