Preocupante realidade

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Não sem razão, apoderou-se dos brasileiros um sentimento de desprezo pelos políticos que passaram a significar corrupção, embora haja exceções louváveis. Nesta última eleição o número de abstenções foi grande, por conta dessa desconfiança.

O desvio do dinheiro público, feito por esses vilões da Pátria, somando bilhões de reais, foi estarrecedor, e as conseqüências aí estão: somente os desavisados e mal informados não enxergam a que situação fomos reduzidos nos setores mais fundamentais de uma nação, aqueles que comandam seu bom andamento: educação, segurança e saúde. Toda esta fortuna desviada seria suficiente para sanar grande parte de nossas misérias. E a sensação não poderia ser outra, a do desgoverno. Professores sem formação e competência, ao lado de muita carência, pois são poucos os que buscam a profissão; policiais venais; profissionais da saúde desestimulados, tudo porque a remuneração não é condizente com a importância das funções que devem exercer. Em todo país civilizado e humano, estas classes, altamente conceituadas e remuneradas, não precisam render-se ao suborno.

Nessa última década, os brasileiros primaram pela passividade como se estivéssemos num mar de rosas, iludidos pelos benefícios naturais da Economia aparentemente estável que estimulou o consumo ao ponto da inadimplência de muitos. Um descuido imperdoável da parte do governo que depositou na economia todos os trunfos, negligenciando o bem comum, mais importante que tudo. O índice de violência e de dependência das drogas tornou-se assustador e incontrolável, como o que vivemos agora. As imagens apontadas pela Mídia, nestes últimos dias, são assustadoras. Os viciados em crack, fugindo em debandada pela Avenida Brasil no Rio de Janeiro, arriscando a vida no meio do intenso tráfego, bem como as cenas de horror vividas pelas crianças e os parentes dos policiais, assassinados em série e sumariamente pelos chefões do crime organizado em São Paulo.

O Brasil precisa mudar, urgentemente, seus rumos e adotar medidas mais simples e eficazes, sem muitas teorias e burocracias no papel, aprovando leis urgentes de prevenção, em primeiro lugar, de punição exemplar aos malfeitores, adotando a tolerância zero; de tratamento e internação condignos aos viciados; de projetos educacionais mais amplos e inteligentes, sob a tutela de profissionais idealistas e competentes, bem remunerados e com tempo necessário para oferecerem ás novas gerações o estímulo e o conhecimento que lhes abrirão as portas ás suas aspirações..

A medida mais urgente, porém, é o saneamento de base na política, cujo modelo e mau exemplo contaminaram as instituições. O julgamento do Mensalão trouxe-nos um alento e uma esperança. Embora seja um saneamento de longo prazo, os juízes de toga, vem demonstrando com vigor o que se pode e deve fazer, com determinação e coragem.

Além disso, este exemplo deverá também interferir na maneira de se efetuar uma eleição, em que os elementos do bem sejam reconhecidos e eleitos, por eleitores mais conscientes e informados no quesito moralidade, diversamente do que ocorreu nas últimas eleições.

1 comentário

  1. Marisa Bueloni em 16/11/2012 às 21:33

    Sim, Myria! Concordo com você!!! O Brasil precisa mudar. Nossa política precisa mudar… Há algo de muito feio no ar..
    Quanta corrupção e roubalheira. Até quando? – nos perguntamos.
    E este julgamento do mensalão? Mezzo mussarela, mezzo calabresa…
    Parabéns pelo texto, minha querida!
    Abraço carinhoso da Marisa

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