Procurando assunto…

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unnamedPenso que todo escritor já sentiu este drama colossal: a folha em branco da máquina de escrever, a página branca no monitor, o computador ligado, a mente ligada e o texto não vem. Procura-se um assunto relevante, importante, que esteja na ordem do dia, para causar alguma reflexão e… nada!

Bem, passo exatamente por isso neste momento em que escrevo. Procuro um assunto. Falta-me a boa e necessária inspiração para a crônica desta abençoada terça-feira. Como tenho de entregar o texto com certa antecedência, escrevo hoje, dia 30 de janeiro, um sábado.

O sábado me causa várias aflições, conforme já relatei em algumas linhas aqui desfiadas com fervor. Sábado me lembra até mesmo as aulas da faculdade de Pedagogia, à tarde. Sim, tínhamos aulas no sábado até às 17 horas! E de lá saíamos com a alma em chamas para namorar à noite. Venturoso tempo!

Mas, confesso: não sei por onde começo. Tenho ideia de abordar a dengue, o zika vírus, a febre chikungunya e os milhares de casos de microcefalia. Já são muitos os países no mundo todo afetados pelo zika vírus e parece que ele irá se alastrar cada vez mais. Nem a Dinamarca escapou.

Li uma mensagem profética onde o Senhor dizia que o mundo, do jeito que vai, ainda iria ficar de joelhos. Supus que uma grande catástrofe ocorreria nestes tempos, talvez uma colisão de um astro com a Terra, algo devastador e aterrador, em nível mundial. Não menos aterradora é a dengue. Mas é um mosquito, sim, um simples mosquito que está deixando a humanidade de joelhos…

Será que abordar a crise política, econômica e moral que assola o país é um bom assunto? Pena que o “japonês da Federal” mudou de função. Já estava sendo requisitado para fotos e até virou máscara de Carnaval. Nosso país é assim, meio surrealista, meio Macunaíma, meio engraçado. Quem não gostou de ver o japonês abrindo a porta do carro e acompanhando os presos pela Operação Lava-jato?

Mas a falta de assunto ainda me persegue. Vi na tevê mais um tanto de lama (es)correndo na tela. Era lá em Minas de novo, o rejeito desceu abaixo, amolecido pelas chuvas intensas. Mais lama. É como se, emblematicamente, esta lama trágica e tóxica simbolizasse a lama que envergonha a nossa nação.

E as chuvas intensas que deixaram inúmeras regiões e cidades debaixo d´água? Carros boiando, gente em cima dos telhados esperando ajuda, meninos brincando perigosamente nas ruas alagadas, mães de família chorando por tudo que perderam em seus lares, homens sem brilho nos olhos, pessoas desesperadas.

A tragédia das inundações se repete. E olha que estamos em pleno início de ano novo. Ele mal começou e nossas retinas já estão cansadas de ver o de sempre. Até outro dia, desejávamos “feliz ano novo” e nos perguntamos agora onde está a felicidade dos desabrigados, dos que perderam casa e bens nas enchentes. Brava gente brasileira! Bravos cidadãos do mundo todo! Um ano novo de verdade está para chegar. Creio nisso de todo o meu pobre coração.

Caro leitor, vai me perdoando a falta de assunto. Às vezes, como se diz, “dá um branco”…

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