SINO OU TAMBOR?

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Meu coração pequenino,
num átimo de temor,
ouve o badalo de um sino
– um sino ou um tambor?
Seria o rufar do destino,
a luta, o desatino,
o som confuso da dor?
Tambor ou sino, sino ou tambor?
Que som é esse, Senhor?
Badala o sino grandioso,
troa o tambor furioso
– são anjos justiceiros, suponho, em terror.
Trazem as taças divinas,
abrem os livros lacrados,
vestem-se de dourados,
que terrível, que esplendor!
Que dias, que dias!
Ao som destas melodias,
batidas no bronze
e no surdo das algaravias.
Desperta minha alma curiosa,
desperta uma rosa.
Dorme, flor jardineira,
que a Hora não é chegada.
Não é dia ainda, é madrugada.
Dorme, rosa do tempo
e deixa que rufem tambores,
que sonhem os sonhadores,
que sinos badalem, eloquentes.
Cuida, rosa querida,
que despertem as gentes.
Meu coração pequenino,
às vezes, ouve um sino,
que badala nas alturas,
que se ouve nas lonjuras,
pentagrama de ternuras,
– ah, que sino, Senhor!
Meu coração pequenino,
às vezes, ouve um tambor,
que soa como um estrondo,
que bate um bumbo redondo
e para ele respondo:
– Eis! Vem chegando o Amor!

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