Sob as graças de Leão

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Recentemente assisti na tevê a um debate sobre astronomia e astrologia. São coisas diferentes, claro, e a maioria das pessoas se interessa mais pela consulta aos astros, buscando nos arcanos algo que possa mudar suas vidas.

Lembro-me de um querido e saudoso professor de Psicologia. Argumentava que o horóscopo tem o poder de acertar quando diz: “Hoje, você vai sair à rua e encontrar alguém”. Sim, é grande a probabilidade de algo assim acontecer…

Sei de pessoas que não saem de casa sem antes consultar os prognósticos para o seu signo. Enfim, cada um acredita no que quer e, se lhe faz bem, que mal há? De minha parte, confesso que não leio mais horóscopos. Há muito tempo. Confio n´Aquele que é a minha cidadela e meu refúgio. A Ele entrego minha vida.

Abençoado salmo 91! “Podem cair mil à tua esquerda e dez mil à tua direita; tu não serás atingido”. Aquele que acredita no Senhor e conhece o Seu nome estará a salvo da flecha que voa durante o dia, da peste que ronda as casas, porque o Senhor o tem na palma na mão. Quando invocar o Senhor, terá resposta.

Assim, passo longe das adivinhações de toda sorte, buscando sempre o auxílio do Onipotente, que na angústia estará ao nosso lado, para nos salvar e nos honrar. O Senhor nos saciará com longos dias e nos mostrará a Sua salvação. Esta é a minha mais devotada crença.

Contudo, dia destes, li de passagem algo que me inquietou. O texto versava sobre saúde e conceitos preciosos, mas a frase não parecia nada científica ali. Afirmava que os leoninos sofrerão sempre da coluna e do coração. Bem, sou de Leão, já estou premiadíssima com três cirurgias de coluna e faço jus ao apregoado.

Até que, recentemente, o coração deu o ar de sua imensa e assustadora graça. Noite quieta, em casa, começou a bater forte demais. Foi um atropelo. E falhava na louca corrida. Tum, tum, tum, uma falha. Tum, Tum, tum, outra falha. E assim foi, até que busquei ajuda, era uma hora da manhã. No hospital, a bondade do médico, a sugestão de que poderia ser tudo de fundo emocional. A enfermeira me deu um comprimido de Diazepan. De volta para casa, dormi feito uma pedra.

Não sei se pedra dorme, mas meu corpo era uma rocha pesadíssima, necessitando de repouso. É tão bom não ver a noite passar e despertar com a luz do dia se dividindo na veneziana da janela! A manhã nasceu tão suave e tão doce dentro do meu quarto, andando silenciosa e aconchegante pela casa.

Um amigo querido, também contemplado com problemas na coluna, sofreu recentemente um enfarte e me contou que é de Peixes, contrariando a tese dos leoninos. Parece que coluna e coração atacarão indistintamente, não importando o mês, o dia e a hora do nascimento da pessoa. Todo tipo de doença será enfrentada por todos nós, uns mais, outros menos, dependendo da predisposição de cada um. Assim é. Peçamos forças para as arritmias da vida. Bate, coração! Afinal, enquanto bates (por amor?), está tudo bem.

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