Soneto da Impiedade

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imagesDe tão grande o engano, fez-se oculta

A lua, escultora de quimeras

De vergonha não vejo a nossa era

Nem crua, desarmada ou prostituta.

 

 

Se me olho, só vejo tal cratera

Entalhada por uma infância culta

Onde só a mentira foi adulta:

O inferno virava a primavera.

 

 

Me lancei ao mar pela catapulta

Porém, ainda no ar da esfera,

Percebi meu erro sem consulta.

 

 

Quis no céu agarrar feito uma hera

E, no tapete da mãe d’água oculta,

Mergulhei na má-sorte qual megera.

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