Sua rede social transcende?

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Facebook1Começa mais ou menos assim: no início você reluta, não tem certeza, fica em dúvida. Mas se todos lá estão, por que eu não? E assim, você realiza um cadastro e pronto! Está inserido em uma rede social, a partir daí passa a ter uma identidade e representação no mundo virtual. No início, a curiosidade, a investigação, o tempo necessário para entender como as coisas funcionam. Um pouco mais de tempo e começa a se aventurar, postando alguma foto ou simplesmente curtindo algum post. Superada a etapa do desconhecido, vem o período da empolgação a partir das novas possibilidades. Você divide praticamente tudo. Sua família, seus amigos, seus momentos, os finais de semana e, principalmente, suas ideologias e emoções.

Nesse momento em que o Facebook comemora seus dez anos, confesso que a genialidade de Mark e sua equipe ainda me surpreende. Impressionante como conseguiram modificar a forma com que as pessoas se relacionam hoje e ainda conseguem encontrar uma nova fórmula para destacar tanto tempo de sucesso, mantendo como protagonista seu usuário, a pessoa que mais importa. Afinal, sem seguidores, sua ferramenta perde valor de mercado. Com o recurso denominado “lookback” (olhar para trás ou algo assim), eles apresentam numa rápida narrativa com uma trilha sonora emocionante, alguns momentos compartilhados, dando destaque aos que mais foram apreciados, criando assim, uma verdadeira retrospectiva da vida do usuário, desde que tomou a decisão de participar e partilhar desse novo mundo. Coloca a pessoa como astro, receita certa, afinal, nosso ego aprecia.

Os mais aficionados e apaixonados por essa ou outra ferramenta que me perdoem, mas trata-se de mais uma estratégia para continuar sendo legal compartilhar, ou melhor, usar. Um dos maiores desafios desse tipo de recurso, certamente é manter a atenção e interesse de seu público, desafio que muitos outros, há algum tempo, já enfrentaram, como por exemplo, Orkut, Second Life, MSN, Skype, e atualmente Twitter, Linkedin e Instagram, apenas para citar alguns.

Aderi ao Facebook em 2013. No Linkedin um pouco antes. Confesso que a proporção e volume que essas redes sociais tomaram e, de certa forma, os muitos compartilhamentos que não me interessam e são despejados diariamente, contribuem muito para que eu não consiga manter meu nível de interesse e motivação. Utilizo hoje esses canais para partilhar algum conteúdo ou utilidade pública, para contatar ou deixar recados para pessoas, pois sei que a possibilidade delas receberem minha mensagem é muito maior do que o envio de um e-mail, ou até mesmo uma ligação.

Sem querer ser pragmático ou adivinho, até mesmo porque o Facebook, cresce em usuários e faturamento anualmente, provavelmente essas empresas precisarão rebolar (e muito) para sobreviverem no futuro, ou melhor, precisarão se reinventar, num ciclo interminável, problema que o Google, por exemplo, não encontra, afinal, sua utilidade e aplicabilidade tem objetivos simples e transcende para a vida das pessoas, pois precisamos localizar informações constantemente, precisamos pesquisar um endereço, um telefone, armazenar informações em nuvem, entre outras necessidades.

Compartilhar é status estabelecido na sociedade atual e não há volta. Queremos contar, desejamos nos manifestar, desejamos de alguma forma estar incluído e ser, mesmo que por alguns momentos ou cliques, o centro das atenções. Independente dessa dinâmica estabelecida, uma rede social ou ferramenta de comunicação, para que faça sentido e agregue algo à vida das pessoas, precisa transcender. Transcender do simples aparato dos pixels das imagens ou caracteres digitados e pulverizados a esmo, para algo concreto, algo utilizável, palpável.

Linkedin só faz sentido, se eu realmente conseguir me conectar com empresas, com profissionais, buscar novas oportunidades, ou seja, saltar do meu perfil, para um emprego.

Facebook idem. Tenho um exemplo bem concreto. No ano passado, minha turma de jornalismo reuniu-se em dezembro. Tudo devidamente articulado e organizado por meio da rede social. Pronto. Nos conectamos depois de anos, mantivemos contato e finalmente, o grupo se encontrou. Estabeleceu-se aí uma verdadeira utilidade do recurso.

Transcender é o caminho. As empresas sempre entenderam essa dinâmica e tudo que fazem nas redes sociais tem objetivos únicos e bem definidos: fazer seu produto, serviço ou ideia, chegarem às mãos dos consumidores. Ter milhares de amigos em sua rede social e não falar com nenhum não passa de acréscimo de informações ao “Bigdata”. Postar situações corriqueiras de sua vida, esperando que as pessoas curtam ou achem interessante, pode não ser uma tendência futura.

Desejo que todos encontrem a melhor utilidade nas redes, independente de seus objetivos. Desejo que todos transcendam o virtual, para algo concreto no real.

* João Carlos Goia é gerente do Senac Piracicaba, jornalista pós-graduado em mídias e mestre em educação.

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