Teoria da dor

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unnamedA dor é você quem faz – Se fosse possível “criar” minha própria dor, seria bem leve e suave.

   A dor é uma ilusão – Não é. Ninguém “sonha” com a dor e ela não é uma quimera. Não tem como ser algo “falso”. Ela existe e ataca com força. Deveria ser substantivo concreto.

   A dor santificaDepende. Há quem acabe oferecendo a sua dor para as almas do Purgatório, para a conversão dos pecadores, para alcançar uma graça e muitos as têm alcançado neste oferecimento de vida.

   A dor é um fantasma que assombra – Ela não só assombra. Ela também dói. Ela é muito mais temida do que uma assombração.

   A dor está no cérebro – Pode ser. Quando alguém está com uma dor de cabeça lancinante, a dor está literalmente no cérebro. Ou em qualquer outro lugar do corpo. Conhecemos a teoria de que nada chega ao cérebro sem antes passar pelos sentidos.

   A dor é a prova de que se está vivo – Ainda bem! Sem dor, estamos mortos. Bela vantagem. Todos querem estar vivos e, se possível, sem dor.

   Dor de barriga é sinal de que você tem barriga – Ouvi muito isso, como um gracejo, uma piadinha, durante um bom tempo da minha infância. Até ser levada ao médico e tratada.

   A dor nos une – Sim, a dor tem o poder de juntar almas dolorosas em volta de uma mesa e ver quem sofreu a maior delas nesta vida. Muitos apostam na dor de cálculos nos rins. Seria a pior de todas. Uns dizem que é a dor de ouvido. E, para as mulheres, tem a dor das contrações do parto.

   A dor é a purificação da alma – Também creio nisso. Mas, quem sabe, existem outras formas de se purificar, sem tanto sofrimento físico?

   A dor é sábia – Sim, ela sabe como e onde doer. Sabe escolher os horários também. De madrugada, de preferência. Nos fins de semana, quando se procura o médico e ele viajou. No dia de Natal. Quando você acha que esta sabedoria da dor vem em boa hora, então, é hora de lutar contra ela.

   A dor é uma ficção – De que tipo? Científica?

   É preciso sentir dor, para dar valor à vida – O mundo ainda vai acabar com tanta filosofia. E vai ter de engolir mais esta.

   A dor é democrática – Se alguém quiser fazer da dor um instrumento político, ao menos lute para encontrar o alívio para ela. Votarei no primeiro candidato que prometer “acabar com a dor.

   A dor é uma bênção – Tente ser “abençoado” por uma dor de hérnia de disco.  Esta é uma falácia que dispensamos rapidinho. Cadê a verdadeira bênção?

   A dor é passageira – Ela é a passageira, de fato, fica ao nosso lado, no banco do passageiro. Ela nos acompanha nas viagens, é a passageira da nossa existência.

   Esqueça a dor – O que fazer? Tentar esquecer a dor ou bater em quem nos sugeriu isso?

   “Dor de barriga não dá só uma vez” – Ditado perfeito.

   A dor passa quando você não pensa nela – Conta outra. A dor não se “pensa”; a dor se sente. Quanto mais você procura “não pensar”, mais dói.

   A dor é uma fantasia – De quê? De Carnaval? Encontrem uma fantasia de dor, que eu quero vestir e ver se dá pra sambar com ela até me acabar…

   A dor é imaginária – Tente imaginar uma dor. Nunca faça isso, pelo amor de Deus!

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