Uma noite destas…

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natalUma noite destas será Natal. Para mim, para você, para os que sonham. Para os construtores da aurora, para os autores da luz.

Uma noite destas pode ser a hora, pode ser agora, me dê a sua mão. Numa noite destas, haverá festas sem fim. Faço parte da cena, a mais bela que já vi. Eu estive nela e nunca mais saí.

A verdade é que, numa noite destas, cravarei no meu peito mais um poema de saudade, aquela dos anos sessenta, a juventude saindo pelos poros, a vida e seu futuro.

Então, envolta em névoas, penetro mansamente no sonho do passado, a calça boca de sino e o colar de couro. Ainda hoje, uso e abuso das saias indianas, pulseiras, brincos, uma releitura riponga que me renova o corpo e a alma.

A alma precisa de tempo, tempo de dizer que você me inspira a lua mais bela, a noite sem medos e a canção infinita. O mundo trepidava. Do you wanna dance? E num baile cuba-libre, éramos livres para praticar a esperança.

Você me tomou em seus braços e éramos feitos da mesma matéria dos sonhos. Matéria frágil. Este lado virado para cima. Cuidado! Soltei a sua mão e me perdi pelo salão. Eu queria plantar uma árvore, escrever um livro, ter um filho. A árvore não vingou, meu livro encalhou por aí. Só as filhas brilham. Envelheci na cidade. Feliz aniversário para mim que já não tenho idade.

Dá para ver que se trata de uma poesia recorrente, mística e arrebatadora? É que meu coração pequenino, num átimo de temor, ouve o badalo de um sino. Um sino ou um tambor? Seria o rufar do destino, a luta, o desatino, o som confuso da dor? Tambor ou sino, sino ou tambor?   Que som é esse, Senhor? Badala o sino grandioso, troa o tambor furioso, são anjos justiceiros, suponho, em terror. Trazem as taças divinas, abrem os livros lacrados, vestem-se de dourados, que terrível, que

esplendor!

Que dias, que dias! Ao som destas melodias, batidas no bronze e no surdo das algaravias. Desperta minha alma curiosa, desperta uma rosa. Dorme, flor jardineira, que a Hora não é chegada. Não é dia ainda, é madrugada. Dorme, rosa do tempo, e deixa que rufem tambores, que sonhem os sonhadores, que badalem os sinos, eloquentes. Cuida, rosa querida, que despertem as gentes.

Meu coração pequenino, às vezes, ouve um sino que badala nas alturas, que se ouve nas lonjuras, pentagrama de ternuras. Ah, que sino, Senhor! Meu coração pequenino, às vezes, ouve um tambor, que soa como um estrondo, que bate um bumbo redondo e para ele respondo: Eis, vem chegado o Amor!

Numa noite destas, será Natal. Buscarei seu olhar cúmplice, a beleza do que existe agora, do que nasce a cada instante. Nossas mãos se tocarão à meia-noite, na distância que também fala e diz as afetuosas e benditas palavras. Já não são frases de praxe, mas de um significado novo.

Eu sonho o Natal, canto o Natal de Jesus, quero anunciar do alto dos telhados a boa nova do Salvador. Faço isso todos os anos, querido leitor. E para você desejo um santo e feliz Natal.

 

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