Como os negócios sociais vêm apoiando o empoderamento feminino

Docente na área de engenharia e saúde há cerca de 30 anos, Taís H. M. Lacerda faz mais uma contribuição ao tema “Mulheres Semeadoras de Cultura”. Desta vez, ela fala sobre empoderamento feminino. Taís já coordenou projetos de pesquisa, de natureza tecnológica e de caráter extensionista, junto à instituição de ensino superior. E vem atuando como consultora empresarial voltada à área de inovação tecnológica há 12 anos. Neste contexto, ela busca fomentar ações junto a empresas de pequeno e médio portes, incentivando o uso de instrumentos de inovação.

Promovendo a Educação e o Empoderamento Feminino

Professora e consultora empresarial, Taís Lacerda atua na área de inovação tecnológica.

Duas tendências de pequenos negócios que estão associadas ao empoderamento feminino são o empreendedorismo cada vez mais feminino (feminização da economia) e o Setor 2,5 – ou negócios sociais -, que englobam maneiras inovadoras de empreender e, projetadas com o objetivo de buscar formas de minimizar problemas sociais decorrentes da pobreza.

Segundo o SEBRAE o objetivo dos negócios sociais consiste em: “…causar o impacto positivo em uma comunidade, ampliando as perspectivas de pessoas marginalizadas pela sociedade, aliada à possibilidade de gerar renda compartilhada e autonomia financeira para os indivíduos de classe baixa.”

Esses negócios estão enquadrados entre o segundo e o terceiro setores e, atribuem ao bem social a mesma prioridade que à realização dos lucros, criando uma economia mais justa.

Eles surgiram a partir da premiação do Nobel da Paz, em 2006, na qual Yunus foi reconhecido pelo seu trabalho sobre microcrédito, buscando a redução da vulnerabilidade dos pobres em Bangladesh.

No Brasil o número de negócios com impacto social está crescendo e, cada vez mais incubadoras e aceleradoras de negócios sociais estão querendo acompanhar o desenvolvimento das empresas sociais, trazendo novas fontes de recursos para que ganhem escala e ampliem sua ação social. Identificados no primeiro Mapa de Impacto 2017 da PIPE Social, 579 negócios  foram mapeados – a maioria deles situados na região sudeste do Brasil (63%), nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Desses negócios, 20% fundados e liderados por mulheres.

As principais áreas de impacto do negócio identificadas foram: educação (38%), seguida dos negócios voltados a Tecnologias Verdes (23%), Cidadania (12%), Saúde (10%), Finanças Pessoais (9%) e Cidades (8%).

Alguns exemplos práticos de setores de negócios sociais com a participação das mulheres são destacados a seguir:

  • Rede Mulher Empreendedora, plataforma de apoio ao empreendedorismo feminino no Brasil, que procura empoderar empreendedoras e, garantindo independência financeira e de decisão sobre seus negócios e suas vidas;
  • Escola de Você, primeira escola online do Brasil, com conteúdo livre, visando empoderar as mulheres e os cursos apoiam as mulheres no desenvolvimento de habilidades, autoestima e empresariado;
  • Rede Asta, negócio social que oferece aos consumidores produtos feito à mão por grupos de artesãos, compostos principalmente por mulheres, de regiões de baixa renda no Brasil;
  • Instituto Consulado da Mulher, que apoia o empreendedorismo entre as mulheres de baixa renda e baixo nível educacional vivendo em comunidades vulneráveis nas periferias de grandes cidades ou em áreas rurais em todo Brasil; e
  • Mulher em Construção, que apoia mulheres de baixa renda, ou fugindo de violência doméstica, com empregos no setor da construção civil no Brasil.

Estas são consideradas ferramentas que vêm ajudando a empoderar mulheres e meninas no país, seja pelo desenvolvimento de habilidades, trazendo conhecimento às empreendedoras, promovendo a educação, dando voz às mulheres em suas comunidades, criando empregos e atuando em aconselhamentos / apoio.

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Mulheres Semeadoras de Cultura

O Projeto “Mulheres Semeadoras de Cultura”, do ICEN – Instituto Cecílio Elias Netto, foi composto por um ciclo de palestras e debates, e a publicação de um livro. Com a coordenação da B2 Comunicação, o Projeto contou com o apoio cultural da Caterpillar – por meio da Lei Rouanet, Lei Federal de Incentivo à Cultura. Para conhecer o Projeto, na íntegra, acesse o link: https://bit.ly/2ml0xyf

 Venha, você também, semear cultura

Agora, A Província quer ouvir e publicar sua história; conhecer sua experiência; saber quem são mulheres semeadoras de cultura para você – muitas delas anônimas e desconhecidas. Queremos aprender mais sobre o que é semear cultura e investigar a qualidade da semeadura de todos nós. Por isso, convidamos você a, também, fazer parte deste Projeto!

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